Marcos Pereira

ESPERANÇA DE UMA CHEGADA.

Quando chegamos ao mundo, somos dados como vivos após o choro que anuncia o início de uma jornada a um mundo implacável ou porque não dizer, a um verdadeiro muro de lamentações. Talvez, este choro inicial represente o conhecimento ou as frustrações que deveremos enfrentar.

Para muitos, esta emissão sonora, representa uma expectativa de novas regras ou preceitos que permitam ascender a um novo olhar de possibilidades. Assim, crescemos na esperança de poder transformar este mundo mais sociável, mais colorido e diversificado. Porém, com o nosso desenvolvimento percebemos que este mundo de mazelas é constituído de fragmentos distribuídos em camadas que representam a classificação do status vigente de uma sociedade segregada de injustiça.

Somos todos iguais perante as regras supostamente vigente, mas a realidade da sua chegada já dita que a expressão de igualdade é desumana.

O caminho que constituímos, nem sempre é a representação do verdadeiro sentimento do sentir e do perceber e nem mesmo do verdadeiro pensamento livre, pois somos introduzidos a uma correnteza enraizada de costumes e tradições que nos interioriza na submissão. Com isso, muitas das vezes perdemos a noção do certo ou do errado, até mesmo o que é decente ou indecente. Porém, somos intuídos a não culpar o mecanismo que dita a versão confortável que todos devem seguir para não serem classificados como anormais. Assim, somos enjaulados e sentenciados na nossa própria versão de moderação, levando-nos a nos conflitarmos no convívio do dia a dia em dúvidas pulsantes. No entanto, para continuarmos, arquitetamos fugas, criando os nossos próprios limites de isolamentos. São tantas as artimanhas, que as vezes, a nossa mente nos permite convencermos que possuímos a versão que todos querem ver.

Vivemos uma vida monetizadas, a qual não gera sentido nenhum, apenas causa enormes transtornos que transformam o sentido do seu verdadeiro curso. Existimos em função das nossas batalhas, pois estamos sempre procurando uma conexão com a vida/mundo e muitas das vezes, esta conexão parece longe demais, mas somos domados pelas circunstâncias da sobrevivência e conservação do nosso sustento na expectativa de transformar este muro de lamentações tão presente em nosso desenvolvimento.

Infelizmente, nem sempre atingimos o objetivo de nos sentirmos esta peça transformadora que tantos esperavam ao nos anunciar a este mundo. Tanto que, no dia de nossa partida, quem chora são os que ficam, pois restam a eles o compromisso da continuação de novas ideias que eles mesmos interrompem por acharem que os padrões não devem se modificados.

Marcos Pereira.

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