Altamir Lopes

Guerra Mundial Microscópica, Macroscópica e Educativa

Armas e bombas? Não. Notícias bombásticas? Sim.

Estratégias de guerra? Não. Nosso próprio meio ambiente contaminado? Sim.´

Ódio  entre as pessoas? Não. Nossos amigos afastados de nós?Sim.

Riscos flamejantes no céu? Não. Gotículas mortais invisíveis? Sim.

Vitória garantida se tiver arsenal mais poderoso? Não. Derrota certa se não reforçar as defesas? Sim.

Esse prelúdio ao nosso modesto texto sinaliza o assunto que está na crista da onda do mar da humanidade: A declarada Pandemia que ataca ferozmente a toda sociedade (des)organizada. E na crista dessa onda poluída e contaminada de morbidade e de palavras doentias firma-se a certeza de que o nosso pior inimigo é aquele que não somos capazes de enxergar. O Coronavírus.

Ao deter a atenção compulsória de cada segmento, camada, estrutura e vontades  de nossa sociedade, esse pequeno ser unicelular tornou-se o centro de todas as notícias no outrora esperançoso ano de 2020. E  muito mais do que seus parentes próximos causadores de outras gripes animalescas, esse tal de “corona” está levando de carona uma sensação de instabilidade que rascunha sinuosamente um cenário similar a de guerras sangrentas.  Especialmente porque o coração pulsante de sangue do sistema – a economia – está sendo abalado e próximo da fibrilação…

E mais uma vez, dentre tantas e tantas vezes onde o palco de teatro mundial apresentava a importância da educação como meio preventivo para as soluções de problemas ou mesmo para que não nos metêssemos neles, essa mesma Educação se apresenta como principal arma – letal arma – para enfrentar esse inimigo poderoso.

“Lavem as mãos. Lavem as mãos. Lavem as mãos.” Ensina-se agora o que nossas mães tentavam nos ensinar. Mas não é só isso. “Valorize a aprendizagem e o conhecimento. Estude. Precisamos de médicos, engenheiros, técnicos, professores, inventores… e sem ela, a Educação, não conseguiremos. Você não será nada nessa vida.” Até que criamos muito, inventamos muito, curamos muito. Mas não o suficiente para curar o ódio, a competitividade, a ganância, a preguiça, a mentira…estamos pagando por nossa falta de educação. Estávamos buscando educação no lugar errado?

Vou contar um caso. Quando eu estava na 5ª série ginasial ( hoje o equivalente ao 6º ano do Segundo ciclo do Ensino fundamental, no Brasil ) tive meu primeiro contato formal com a disciplina conhecida como História. O primeiro conceito relacionado a disciplina apresentado por aquela fantástica professora me chamou a atenção: ”Estudamos História para que não cometamos os mesmos erros praticados no passado”, professou a querida docente. Num ímpeto vigoroso e improvável dos meus franzinos 12 anos de idade levantei a mão quase alcançando o teto e rasgando a camisa de botões e nem esperei a professora me conceder a palavra: ”Então professora – reverberei com a cara fechada e com tons de sarcasmo e dúvida – o ser humano nunca estudou História, pois cometemos os mesmos erros até hoje”. Não houve resposta. Nem da professora, nem dos colegas.

E desde Adão e Eva, a falta de zelo pela Educação, seja a fornecida pelo Criador de todas as coisas ou produzida pela tecnicidade Humana, tem gerado problemas os quais  – temo eu – nem a própria Educação será capaz de mitigar, pelo menos sozinha, não! E Lê-se aqui Educação como princípio do respeito mútuo, às Leis universais, a integridade e a boa prática moral e ética.

E tal qual um paradoxo, a soberania da Educação impera-se nessa guerra epidemiológica como único remédio para a doença causada pela ausência dela. E, voltando à história da História contada alguns parágrafos acima,  não precisamos ir muito atrás nas páginas do livro da vida humana para percebermos que não estamos atentos ao que realmente importa nas entrelinhas.  Um bom exemplo desse fato é o simples exame dos inúmeros periódicos, livros e revistas seculares que já apontavam desde anos atrás para um período como esse que agora vivemos. A revista Despertai, publicada há 15 anos ( edição de 22 de dezembro de 2005 ) cita diversas fontes fiáveis indicando claramente o retorno de uma grande pandemia: “Segundo muitos especialistas, a questão não é se um vírus violento vai retornar mas sim, quando e como isso vai acontecer. De fato, alguns estimam que um surto relativamente grande de influenza aconteça a cada 11 anos, e um surto severo, a cada 30 anos aproximadamente. De acordo com essas estimativas, o prazo para o surgimento duma nova pandemia já se esgotou” . Levando em conta que essa revista é uma das mais distribuídas no mundo e suas citações apontam a outras fontes de peso, podemos nos perguntar até que ponto estamos, ou deveríamos estar,  realmente atentos e despertos – como o próprio nome da publicação sugere…

Vamos aprender muito. Ou não. Numa guerra, macroscópica ou microscópica a lição fica. Ora nos livros, ora nos tempos. Ora, ora…já passou da hora. Lave a mãos. Mantenha sua consciência limpa.

Crédito da imagem: Pixabay

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Altamir Lopes

Graduado em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Recursos Humanos, Orientador Educacional e de Carreira, Licenciando em Psicopedagogia e Pós-graduando em Neuropsicopedagogia. Desenhista Publicitário, Poeta, escritor, Instrutor gerencial e palestrante. Mas acima de tudo, um servo do Deus vivente Jeová, Pai, marido e ser humano reflexivo. Na coluna que leva o meu nome, vamos nos encontrar para refletir sobre a arte da gestão de pessoas e relacionamentos. Falaremos sobre a sociedade humana e seus meandros paradoxais e especialmente, a relação que cada um tem consigo mesmo por meio de textos em verso, prosa, crônicas, contos ets. Escrevo também para a coluna Resultados Humanos, onde trarei casos e matérias relacionadas a atividade humana - individuais ou em grupos - que geram reações na sociedade. E também publicarei na coluna Notícias, material de reportagem ou artigos da atualidade. De vez em quando, em quais dessas colunas, vou publicar uma charge ou caricatura autoral...Espero que gostem.

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