Ser profundo é mais que sentir demais, é tornar um mundo cinza, repleto de mesmice, algo significativamente mais “vivível”, florido e colorido… o profundo tem o dom de transformar detalhes simples em histórias inteiras, com cheiros, toques, cor e sensações que um olhar superficialmente apressado jamais teria tal capacidade.
Viver no raso, talvez para muitos seja seguro, mas de que vale a vida guardada no bolso para não ser gasta? Não falo sobre falta de integridade, mas de querer usar a vida dando significado e importância a coisas simples: gestos, cores, sons, expressões faciais, cheiro de chuva chegando, vento com aroma de flor, à delicadeza da vida.
Para mim, ir ao mercado por exemplo, é muito mais que isso… é no caminho acompanhar a cor e clima do dia, notar o vai e vem de pessoas que talvez nunca mais eu tenha a oportunidade de de encontrar, escolher com carinho o suprimento da casa, interagir com pessoas e compartilhar dicas caseiras, preços, um relacionamento pontual e finito, pautado na delicadeza e cuidado com um outro de quem nada sei, mas ali, é alguém importante. Escolher aquele café 🤤que faz as manhãs ficarem com cara e cheiro de aconchego, o sabonete que torna um banho comum em uma experiência olfativa…
E o pôr do sol? Ah, o pôr do sol… essa é uma experiência, um evento que precisa de outro texto só para descrevê-lo.
Para quem funciona dessa forma, qualquer oportunidade, por menor ou mais simples que seja, vira motivo para sentir. Afinal, nós somos feitos de detalhes, imagine se os detalhes não fossem importantes…
No fim das contas, de que adianta passar por tantas coisas significativas e não vê-las? De que vale estar aqui e não tornar a vida uma experiência verdadeiramente sensorial, dando significado exuberante à existência?


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