Há dias em que viver parece um erro,
Um longo caminho, silencioso e severo;
O mundo acontece, indiferente à dor,
E tudo que resta é o eco do horror.
O tempo não para, não pede licença,
Arrasta consigo o resto da esperança;
Os sonhos que tive perderam a cor,
E o que era futuro tornou-se temor.
É estranho existir sem saber por quê,
Abrir os olhos sem querer renascer;
Vestir a rotina, calar a aflição,
E carregar o peso do próprio coração.
Talvez seja isso: seguir sem sentido,
Sentir-se presente e, ainda assim, perdido;
Ser casa vazia, silêncio e ausência,
Um corpo atravessando a própria existência.
E enquanto o mundo insiste em amanhecer,
Há algo em mim cansado de compreender;
Não é sobre partir, nem sobre chegar ao fim,
É desejar que o mundo se cale dentro de mim.

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