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POEMAS, DE WISLAWA SZYMBORSKA

Por Elias Antunes                                  

            A poesia da polonesa Wislawa Szymborska, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996 traz assuntos complexos e profundos, ao mesmo tempo que filosóficas, mas com uma beleza que encanta desde os primeiros versos.

            Marcado pelos aspectos da modernidade, não é inovadora no sentido gráfico-estético, porém na sua forma de escrever, de tratar assuntos mais densos, de maneira descontraída, retirando a tensão da filosofia, a sua seriedade e sisudez, dando-lhe o contorno da beleza e da surpresa que é a poesia.

            Um de seus poemas intitulados Possibilidades dá uma perfeita ideia desse acasalamento entre filosofia e poesia, peso e leveza.

            “POSSIBILIDADES

Prefiro o cinema.

Prefiro os gatos.

Prefiro os carvalhos sobre o Warta.

Prefiro Dickens a Dostoiévski.

Prefiro-me gostando de pessoas

do que amando a humanidade.

Prefiro ter agulha e linha à mão.

Prefiro a cor verde.

Prefiro não achar

que a razão é culpada de tudo.

Prefiro as exceções.

Prefiro sair mais cedo.

Prefiro conversar sobre outra coisa com os médicos.

Prefiro as velhas ilustrações listradas.

Prefiro o ridículo de escrever poemas

ao ridículo de não escrevê-los.

Prefiro, no amor, os aniversários não marcados,

para celebrá-los todos os dias.

Prefiro os moralistas

que não me prometem.

Prefiro a bondade astuta à confiante demais.

Prefiro a terra à paisana.

Prefiro os países conquistados aos conquistadores.

Prefiro guardar certa reserva.

Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.

Prefiro os contos de Grimm às manchetes dos jornais.

Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.

Prefiro os cães sem a causa cortada.

Prefiro os olhos claros porque os tenho escuros.

Prefiro as gavetas.

Prefiro muitas coisas que não mencionei aqui

a muitas outras também não mencionadas.

Prefiro os zeros soltos

do que postos em fila para formar cifras.

Prefiro o tempo dos insetos ao das estrelas.

Prefiro bater na madeira.

Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.

Prefiro ponderar a própria possibilidade

do ser ter sua razão.

(SZYMBORSKA, 2011, p. 87/88)

            Esse poema é um dos mais emblemáticos da força poética de Wislawa Szymborska e fala muito mais de escolhas pessoais, mas também de um modo mais filosófico de enfrentar a vida, a leveza, o preparo, as opções que deixam nas pessoas a validade do seu tempo de existência.

            Trata também da não violação da natureza, a busca por uma vida mais simples e que se está mais preparado para realizar seu caminho de maneira a não invadir, destruir ou sobressair sem respeitar o próximo, as criaturas e a natureza.

            Não por acaso levantou o prêmio máximo da literatura. Uma poesia cheia de nuances e de beleza da qual o leitor de poesias não pode contornar.

Fonte da imagem: Foto do autor.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

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