Quando criança, usava todos os brinquedos com liberdade. Sim, não havia separação de brincadeiras de meninos e meninas. Eram brincadeiras de criança. Ela possuía uma preferência peculiar de abrir recipientes com tampas, porém não os fechava.
Cresceu assim, não fechava nada! Potes de manteiga, doces em calda, embalagens de xampu e cremes. Não fechava o portão do quintal, é bem verdade que me refiro a uma época mais respeitosa. Os vizinhos perguntavam se podiam entrar, batiam palmas para anunciar a chegada.
Já adolescente, foi advertida várias vezes pelos pais sobre os riscos de deixar coisas abertas. Talvez essa jovem merecesse um estudo porque nem mesmo os sinais gráficos, como parênteses e aspas, eram fechados em seus textos na escola.
Adulta, vida social ativa, muitos amigos e bons relacionamentos amorosos. Até surgir um rapaz sem anunciar, foram meses de paixão, sem brincadeira. Um dia ele sumiu! Não encerrou o namoro. Simplesmente desapareceu. Aflita, saiu em busca de respostas. O tal homem estava bem, soube através de suas colegas que ele mantinha um compromisso com outra pessoa.
Dolorosa notícia! Um choro mesclado de raiva, decepção e angústia. O amargo daquele sentimento deu lugar à racionalidade para as ações. Desta forma, dedicou-se à leitura. Mergulho profundo em Filosofia acerca do comportamento humano.
Hoje, é funcionária pública, ama seu trabalho e, com estabilidade, aprendeu a fechar, encerrar ciclos. Com sabedoria, afirma: “o melhor namorado é um bom emprego!”
IVONE ROSA
@profaivonerosa
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