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Morceguinho I

     Os morcegos aparecem somente à noite, são bichos noturnos e muito nojentos.

      Dizem que os morcegos se transformam em vampiros e que chupam o sangue das pessoas, mas isso é coisa de filme, não deve ser verdade.

       No entanto, teve um dia, um menino muito curioso encontrou um morceguinho na rua, era de dia e chegou perto dele. O bicho não se mexeu, parecia estar vivo… O guri se arrepiou todo, mas, mesmo assim, chegou mais perto ainda para olhá-lo melhor; pegou sua câmera fotográfica e tirou uma foto do morceguinho, para guardar de recordação e contar para seus amigos que viu um morcego de verdade.

      Logo de noite o menino foi para o quarto, já estava na hora de dormir. Pegou uns minutinhos no seu livro de história preferido para ler um pouco, adormecendo em seguida com o livro entre as mãos.

      De repente, o livro se fecha com um barulho, caindo no chão, acordando o menino no susto! Só que, o que o assustou, de verdade, não foi o barulho que o livro fez ao cair no chão, foi o que ele viu no quarto, no escuro…!!! Uns olhinhos vermelhos estavam olhando e brilhavam! Ele ia abrir a boca para gritar por socorro quando se lembrou do morceguinho que encontrou na rua, de dia.

      O medo e o pavor ainda estavam ali com ele. Mas como era um menino corajoso (pelo menos assim se dizia ser) resolveu encarar aquele bicho assustador, que o olhava de forma pavorosa!

      – Quem é você? O que estás a fazer aqui no meu quarto? Pergunta o menino todo cheio de si, mas por dentro seu coração batia descompassadamente.

      – Que pergunta é essa? Não me reconheces? Agora estás com medo de mim? Responde ao mesmo tempo em que faz perguntas, o Morcego.

      – Sei! Estou te reconhecendo sim… E o que estás a fazer aqui? Não estou com medo de ti coisa nenhuma, sou muito corajoso!

      – Pois então, menininho! Sou aquele morcego que estava jogado no chão quando me viste na rua e ainda me fotografaste! Vim aqui te conhecer, pois foi o único que teve interesse por mim naquela hora; o sol estava tinindo por cima de mim; eu não conseguia me mexer e nem abrir os olhos por causa da claridade e lá fiquei até anoitecer.

      – Sério? Não vieste para me assustar? Ou para chupar meu sangue para virar gente?

      – Falo sério. Não vim para te assustar e nem para chupar seu sangue, porque não sou vampiro, sou somente um morceguinho sozinho. Vampiros são lendas, existem somente em livros de histórias infantis ou em filmes de gente grande. Sou um bichinho que vive mais à noite e se não me provocar, não faço mal a ninguém.

      – Está certo! Disse o menino mais calmo. E como me achaste?

      – Bem! Talvez não acredites, saí de dentro da sua câmera fotográfica.

      – Capaz! Como assim? Explica isso direitinho!

      – Tiraste uma foto minha hoje, não foi? (O menino concordou balançando a cabeça, para frente e para trás). Pois é, no momento que se bate uma foto o flash é acionado e foi aí que a minha imagem foi parar dentro da tua câmera. No entanto, meus olhos por possuírem um dispositivo que dá brilho à íris, que são vermelhas, o flash fez com que fossem ativadas, tanto que estão brilhando. Isso me deu a possibilidade de entrar e sair da tua câmera. Sendo agora noite e ela está ali em cima daquela mesinha, saí de dentro dela, para te conhecer.

      – Isso sim que está parecendo coisa de filme e dos mais absurdos.

      – Eu sabia que não acreditarias em mim, porque sou só um morceguinho humilde e feio, rejeitado pelos outros bichinhos e pelas pessoas que têm nojo de mim, vou embora!

      – Não, Morceguinho! Não precisa ir embora. Pode ficar, mas sem fazer barulho e desde que não assuste ninguém.

      – Pode deixar, menininho! Vou me comportar. Agora tenho um amiguinho para conversar, tenho muitas histórias para contar, sei que gostas de histórias e vou te contar muitas.

      – Muito bem, Morceguinho, assim irei te chamar! Vou adorar ouvir as tuas histórias, mas agora preciso dormir, estou com muito sono e amanhã é um novo dia, com muitas coisas para fazer, certo?

      – Certíssimo, meu menininho! Amanhã à noite volto para te ver. Boa noite e que tenhas lindos sonhos!

      – Obrigado, Morceguinho! Até amanhã!

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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

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