Diga-me
Diga-me! Diga-me.
Quais são os teus sonhos
Teus anseios e segredos
Mesmos os estranhos
Deixe-me sobrepor os teus medos.
Diga-me. E creio que encontraremos
Uma dor que em nós arde
Em ambos os lados sentimentos
Partes da mesma carne
Nos ossos nosso testamento.
Diga-me. Então te direi
A dor que me é imposta
O fardo que me cala a resposta
Uma imagem que o espelho não mostra.
O escuro silêncio onde o forte se prostra.
Digamos nós! Talvez em quietude.
Onde as palavras já não encontram espaço
Desatam-se os nós e envolvem-se os laços
O plano não escrito segue sem mudanças
Por onde for, sigamos juntos em nossas andanças.
T. Cardoso


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