Por Elias Antunes
Poeta maldito, grande inovador do verso, Roberto Piva dizia que: “Só acredito em poeta experimental que tenha vida experimental”.
E vida experimental foi o que Roberto Piava teve, prisões, sem emprego fixo, delírios amores libertinos, drogas pesadas etc.
Piva é um dos poetas mais autênticos e criativos de sua geração.
“mestre Murilo Mendes tua poesia são
os sapatos de abóboras que eu calço
nestes dias de verão.
negócio de bruxas
o sol caía na marmita do
adolescente da lavanderia.
você seria isto com
seu olhar silvestre.
um murro bem dado no vitral
que eu mais adoro.
(PIVA, 1985, p. 67)
Poesia desgovernada, como flashes de pensamentos, ilhas isoladas, desconexão com o mundo, mas não com a vida.
Vida louca, por sinal, evocando todas as razões por querer uma vida de artista, principalmente, vocacionada para as palavras, palavras poéticas, cheias de uma experiência externa e vida interior ilustrada pelos sentidos.
“ANTINOUS
(movimentos de árvores)
são questões
terça-feira eu prefiro você bem
louco
minha palavra & nada que você acreditar
poderá acontecer: ostras olhos injetados Hegel
durma com suas violetas do subúrbio
a cidade tosse como
um índio com febre
São Paulo acorda em suas coxas
docemente
banho quente com vapor
em espiral flocos de
samambaias eróticas
assim que você espreguiçar eu estarei
sangrando”.
(PIVA, 1985, p. 72)
Piva teve uma vida conturbada, envolvimento com drogas, prisões, badalações, desemprego. Tornou-se figura muito conhecida, principalmente por suas participações em recitais e intervenções poéticas.
A antologia em referência traz alguns dos melhores poema, manifestos e textos do poeta maldito. Fonte da imagem: Foto do autor.


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