A arte de se comunicar sem ser da forma convencional é algo que o universo atípico faz nascer em quem convive com “eles”.
A professora dava sua aula de inglês numa turma de pequenos abençoados e já ciente de que havia uma pequena atípica entre eles.
Observou nas primeiras aulas e depois foi tentando aproximação. Luiza é uma menina linda e meiga que, para alegria da professora, gostava muito de sua matéria.
Luiza faz as tarefas do jeito dela porém não menos eficiente que os outros. Com o tempo ela deixa a professora pegar na sua mão para auxiliar na atividade. Mesmo sabendo da presença da mediadora, ela acredita que a proximidade com os alunos facilita as coisas.
Certa vez a professora levou uma caixinha de música, pois suas aulas sempre tem melodia, mas a música na caixinha incomodou Luiza. Ela tirou a música e seguiu a aula. Logo depois reparou com satisfação que as vezes em que ela cantou para os alunos a Luiza gostou, então seguiu com o método “acapela” mesmo.
As aulas de Inglês são sempre antes da hora de lanchar, aliás “lanchar” é uma palavra que a Luiza sempre repete. Ansiosa para esse momento, ela as vezes escapa da sala correndo, admira o céu, brinca e canta.
Em uma das vezes que ela escapou, a professora foi tentar buscá-la. Se aproximou em tom suave mas sem resposta. Chamou mais uma vez estendendo a mão e nada. Então resolveu cantarola suavemente:
“This little light of mine,
I’m gonna let it shine!
This little light of mine,
I’m gonna let it shine…”
Luiza foi em colo sorrindo e voltou a sala. Quando a professora parou de cantar ela soou: “Shine, Shine, Shine!”
Josileine Pessoa F Gonçalves


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