CRÔNICA Roupa de morto
Quem me conhece sabe que amo um brechó, bazar.
São tantas roupas, sapatos, bolsas e adereços bons que pesco e garimpo, literalmente.
E muitos falam e têm nojo dizendo “Eu não vou vestir roupa de morto”!
Então vamos pensar, como uma senhora disse em um destes brechó e bazar onde tenho esses garimpos em Niterói, logo na Avenida Ernani do Amaral Peixoto, “o morto não usou essa roupa”!
É bem verdade, ele pode ter usado a roupa quando estava vivo. Morreu, a roupa que ele usou foi a que sepultado no caixão.
Essa ele leva com ele e depois dependendo as traças comem ou se for cremado, o fogo consome.
Ainda quero entender pq as pessoas ficam falando assim ROUPA DE MORTO.
Um dia será nós, iremos perder nossas roupas, levaremos sim a roupa no caixão e a que nos vestirem. E a tal fala PALETO DE MADEIRA!
Tem morto que soube viver bem e umas roupas, destes “mortos” nem foi usado. Abra o seu guarda-roupa sempre tem algo novo e que nunca usou.
Então parem de falar ROUPA DE MORTO e que bom ser roupa de morto vivo, quer dizer como um Epitáfio, ele(a) soube viver e nos deixou sapatos, roupas, pulseiras, bolsas, brincos, brinquedos.
Eu mesma compro e doo muito. Doo mais que compro. Sou destas que compro, às vezes não uso e quando vou ver, nem dá mais em mim ou não quero. Então o que fazer?
Esperar morrer para doar?
Eu não espero emagrecer, a festa acontecer e ou apenas usar a roupa. Se não gostou, doe!
Sempre têm alguém que queira, precisa. Se não quer, eu aceito! Ou doe onde comprou, no bazar, brechó, como for o nome da loja de desapego.
Vamos ter consciência de não ter acúmulos para assim em vida as traças não comer, as baratas roer.
Eu uso ROUPA DE MORTO e bem vivido que foi!
Alessandra Oliveira
@alessandradaso
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