Pois é, ultimamente tenho visto tanta coisa acontecer, que pasmo um pouco quando as pessoas impõem um marco decisório para quando a vida deve começar.
Na verdade, a vida começa quando somos fecundados, começamos a olhar o mundo quando nascemos, o percebemos gradativamente com o passar dos anos, mas muitos se perdem neste caminho de se entenderem viventes, vibrantes e pensantes por subsistirem mornamente ou somente focando em serem eternos errantes.
Mas a vida não é isso, sermos eternos errantes?
Ou você pensa que vai acertar sempre?
Bom, se você pensa que vai ser certeiro em tudo o que for realizar, por favor passe-me os números da Mega Sena!
Brincadeiras a parte, fato é que a vida é a diária performance de iniciar, recomeçar e persistir até que o fim chegue… E esse é o grande milagre diário que precisa ser observado, agradecido e comemorado, mas que acaba se perdendo entre tantos afazeres, fardos e dispersões.
Há poucos dias vi uma mulher na internet enfatizando com pesar o momento de chegar aos 30 anos, como se fosse uma idade de vulto avassalador, Contudo, demonstrava-se desejosa de realizar uma comemoração com o tema “De repente 30”, em alusão ao filme de grande sucesso lançado no ano de 2004.
Contudo, no filme há ênfase de que “30 anos é a idade do sucesso”, logo, por que seria pesaroso chegar a tal idade? Seria por uma cobrança relativa ao alcance do “tal sucesso”?
Mas o que é sucesso em si?
Muitas foram as metas e formas de sucesso que me perpassaram através dos tempos, mas hoje, diante do cotidiano infinitamente colapsado emocionalmente da sociedade, penso que o sucesso está na perseverança de se amar e desejar se autoconhecer diariamente, mesmo perante às descobertas de ângulos não tão louváveis dentro de si, mas ante a tentativa constante de tentar acertar no caminho do carinho, da caridade, da ética, da justiça e do amor.
Há quem diga que atualmente a vida começa aos quarenta, mas também dizem que esta é a idade do “ENTA”, na qual o declínio da vida se apresenta gritantemente, pois daí por diante virão os “cinquENTA”, “sessENTA”, “setENTA”, “oitENTA” e daí por diante…
Será que existe algum remédio ou fórmula para dominar estes percalços rotulatórios trazidos com o passar dos anos os quais são agregados a idade que nos alcança?
Na verdade, não há magia limitadora para o tempo ou encantamento que mudará imediatamente esta sociedade que adoece por impôr a juventude eterna, bem como faz adoecer o ser humano enredado nesta teia viral e enlouquecedora da perda de saúde mental na busca do que chega para todos os que têm a alegria de alcançar longevidade na vida.
Que sua vida comece a cada raiar do dia com gratidão por mais uma vez poder abrir os olhos pela manhã, por ter o carinho de acolher-se nos momentos difíceis e o discernimento para fazer brotar em si a perseverança de seguir nesta grande aventura que é viver em qualquer idade com sabedoria.
Michelle Carvalho
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