@revistaentrepoetas / @professorrenatocardoso

,

5 cliques

O ritual

I

«Vamos dar início

À peça do ofício

Teatral dos actores

Acrescentada pelos valores

Que na audiência

Darão sua sequência

Ao ritual de improviso

Mas sem feitiço

Peço-vos por favor

Tenham tento e fervor

Da senhora Decência

E do ilustre Paciência.»

A peça começava

E nela se observava

Um vistoso bonitão

Da internet por função

Chamado à presença

De mulheres em licença

Provisoriamente tirada

Da internet privada

De sua companhia

Apenas por um dia.

Mas muitas eram

Que bem encheram

O palco com objecto

Adicional em concreto:

Caldeirão identificado

No centro colocado.

Da assistência vinha

Apelação-rainha

Gritada sem sensatez

Mas sempre à vez

Por quem coroada

Se sentia condecorada

Com real título

Para definir capítulo

Ou mesmo completa

Peça a ser directa

Em atestada representação

Do recinto na opção

Por autorizada interferência

De toda a assistência.

Mas esta composta

Era por gente disposta

A interceder em amizade

Que tinha na verdade

Com o internet mulherio

No palco vazio

Em fazer não sabendo

A receita mexendo

Para ritual de seguimento

Incógnito no momento.

Mas ajuda havia

E a plateia referia

As partes que se ouviam

Pertencentes às que diziam:

«Metam-no ao caldeirão

E do bolo em confecção

Fatia uma partam

E nela escrevam

Vosso nome de mulher

Fazendo-o comer

Fatias todas por bem.»

«Ou forçado mais além

No tempo preciso

Para digestão de aviso:

«Com calma, minhas senhoras

Isto pode demorar horas!»

«Depois, com ingrediente

Suplementar por eficiente

Com mexida consequente

Ele será bem-dizente

Do pedaço preferido

Com o nome referido

Da escolhida dama

Com a qual, trama

Partilhará no diante

Desde que se levante

Do caldeirão repleto

Pelo bolo certo

Para conclusão teatral

Da peça fundamental

À felicidade que nela

Começou em janela

De internet vida

Sem outra concebida.»

Claro que plateia

Só estava cheia

Com femininas comadres

Instruídas no «Hás-de

Fazer boa figura

E dar-me a cura

Que mais necessito

Como último grito

Da moda com bonitão

Para minha condição.»

Todas estavam ensinadas

E com expressões decoradas

Perante condutor fio

Do ritual para cio

Que falhar não poderia

Apesar de que reservaria

Final correspondente

Apenas para ente

Singular no feminino

Com internet por tino.

O bonitão comeu tudo

Sem possibilidade de mudo

Sair por opção

Quando dentro do caldeirão

Flores eram na certa conta

Atribuída a cada tonta

Identificada no bolo

Às fatias por dolo

De gula forçada

Na beldade lanchada

Como bonitão guloso

Visto por maravilhoso

Nelas em espera

Pelo resultado que «Pudera

Eu sair vitoriada

Com ele glorificada.»

Mas antes do desfecho

Depois de breve fecho

No caldeirão aquecido

Foi reaberto para querido

Da mulherada expectante

Conceder seu garante

De final escolha

Com ele em molha

Quente e repleto

De bolo para ceptro

Faltando saber o destino:

Se hospital fino

Ou audição de hino

Como novo paladino

Para quem o ansiava

E tanto apertava

Seu ardente coração

Por desejo de bonitão.

II

Duas figuras entraram

Com o aviso que levavam:

«Senhora Decência para concluir

Espectáculo de fugir

Com este ilustre Paciência

Comigo sem incidência

Dela própria em si

Pelo que se passa aqui.

Chamei a polícia

E vai tudo notícia

Ser no amanhã vexante

Com manchete por garante

E destino reconfortante

Em calabouço humilhante

Com internet por constante

Jamais para instante

Vosso que precisará

Da cura que vos tomará

Uma longa geração

A começar nesta ocasião.

Quanto ao bonitão

Eu irei em atenção

Cuidar de seu estado

Para que no lado

Seu nada falte

Nem ele mais salte

Com tudo o que dá

Essa internet tão má!»


Descubra mais sobre Revista Entre Poetas & Poesias

Assine gratuitamente para receber nossos textos por e-mail.

Deixe um comentário

Sobre

Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.

Se você deseja ter seu texto publicado, envie sua produção para:
revistaentrepoetasepoesias@gmail.com

Acesse: www.entrepoetasepoesias.com.br
Siga no Instagram: @revistaentrepoetas / @professorrenatocardoso
Canal no WhatsApp: Clique aqui para entrar

PESQUISA