Quando Dorothy chegou a Oz levada por um tornado, confessou ao seu cãozinho Totó que tinha a impressão de não estarem mais no Kansas. Pois é, há cerca de uma semana, poderíamos crer já não estarmos no Brasil, ou, ao menos, num Brasil nosso conhecido. Ainda me recordo de, na infância e adolescência, sabendo de erupções vulcânicas, furacões, terremotos e maremotos, me vangloriar de viver num país sem tais desastres naturais. Tínhamos, é verdade, inundações de verão e seca no nordeste. Esperávamos, porém, ver esses eventos sazonais contidos ou solucionados, com vontade política e projetos efetivos.
Muitos anos mais tarde, na terça feira, 28 de julho, os noticiários me apresentaram um tornado a noroeste do Rio Grande do Sul, acompanhado, em diferentes lugares do estado, de intensa chuva de granizo e inundações. A cena do gigante redemoinho avançando, gravada por pessoas locais, e de seu consequente rastro de destruição impressionava. Lembrou-me filmes como Twister (1996) e Twisters (2024). Afortunadamente, não houve mortes, embora tenha havido feridos e perdas materiais.
Os ventos, efeito da frente fria, chegaram à região sudeste e, na tarde de quarta-feira, 29 de julho, atingiram o Rio de Janeiro com velocidade superior a noventa quilômetros por hora. Derrubaram árvores, interromperam o fornecimento de energia elétrica e pararam o transporte público. A volta para casa foi um tormento. Houve quem, precisando estar na rua, se ferisse. Outros escaparam por milagre. No dia seguinte, ainda havia estabelecimentos e residências sem luz, gente tentando dar conta dos telhados ou tampas de caixas d’água arrancados e dos detritos espalhados.
Eventos climáticos extremos vêm ocorrendo com cada vez maior frequência. Regiões antes tranquilas e livres dessas catástrofes, hoje, as enfrentam com certa regularidade. Não é uma questão local, mas planetária. Já nos demonstram os incêndios na Europa e na Califórnia, ampliados pelas condições de seca e calor intenso, concomitantes aos episódios no hemisfério sul.
Os terremotos, como o de 7.1, na terça-feira, 28 de julho, no sul do Japão, as erupções vulcânicas, como a ocorrida nas Canárias, em 2021, ou os tsunami podem, talvez, ter alguma relação com o desgaste da Terra. Uns argumentarão acontecerem em lugares próximos a fendas ou limites de placas tectônicas e, portanto, sujeitos a tais ocorrências. Não o nego. Tampouco posso deixar de pensar, contudo, que nosso planeta parece estar reagindo e se defendendo das agressões. Se Gaia tiver vida autônoma, como sustentam certas culturas, com certeza estará ressentida de nossas ações.


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