O tempo, em seu passo soberano,
Desfia os dias sobre a solidão;
Leva o sorriso, o sonho mais ufano,
E deixa ao peito a doce recordação.
Há um cansaço antigo em cada estrada,
Que pesa mais que o fardo da razão;
É como a folha, ao vento abandonada,
Buscando abrigo em muda oração.
Quantas auroras vi nascer serenas,
E quantos sóis tombarem sobre o mar!
As horas são, por vezes, tão pequenas,
E, noutras, custam séculos passar.
Contudo, a vida é mestra paciente;
Oculta flores sob o espinho atroz.
Quem hoje segue em pranto penitente,
Amanhã ouvirá mais doce voz.
Porque a esperança, lâmpada sagrada,
Jamais se curva ao gélido pesar;
Mesmo na noite escura e desolada,
Acende estrelas para nos guiar.
Assim prossigo, embora o tempo avance,
Levando os fios de minha mocidade;
Pois sei que Deus concede novo alcance
À alma que cultiva a eternidade.
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