Na travessia da alma ,
há encontros que o tempo não explica.
Não chegam para nós completar,
mas para nós lembrar de quem somos.
Um amigo não invade jardins .
Senta-se à sombra das árvores,
espera a estação das flores
e compreende o silêncio das raízes.
Há dias em que ele é espelho,
e vejo refletida a luz que esqueci em mim.
Há dias em que é rio,
levando embora máscaras
que já não cabem no coração.
Na linguagem da alma,
amizade é o encontro de dois viajantes
que se reconhecem sem a necessidade
de um possuir o outro .
Talvez seja esse o milagre:
descobrir que caminhar ao lado
vale mais do que carregar nos braços.

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