Guardei no peito um jardim sem cor,
com flores secas pedindo calor.
Porém cada sonho que tenta nascer
aprende cedo o que é se conter.
Meu coração quer o céu alcançar,
contudo teme as nuvens e volta a pousar.
Finge coragem, disfarça a aflição,
vive algemado na própria razão.
Há tantas palavras querendo sair,
presas no medo de alguém não ouvir.
Levo sorrisos no rosto a brilhar,
enquanto a alma desiste de olhar.
É como um barco sem vento no mar,
vendo o horizonte, sem poder chegar.
Sinto que o peito conhece o caminho,
mas faz da distância o seu ninho.
Quem sabe um dia eu consiga romper
as velhas correntes que me fazem temer.
Pois mesmo limitada em meu sentir,
ainda há esperança de enfim agir.
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