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contentores

«Chegaram os contentores

E há que conferir os valores

Que lá dentro estão

E se serão

Adequados a esta editora

Literária que mora

Em zona urbana.»

«Se não der para esta

Dará para sua mana

Para que continue a festa.»

Os contentores são arrumados

Para serem revelados

Seus enigmáticos conteúdos

De onde saem ruídos

Que deixam confundidos

Os que desconhecem

As coisas que se encontram

Nos interiores que abanam

Talvez procurando saída

Pois certamente querem

Respirar outra vida.

«Este contentor pesa mais

Do que aquele ali.»

«É porque têm demais

Obra publicada

Noutra temporada

Conforme eu já li.»

Os contentores são abertos

E saem ainda despertos

Todos os jornalistas

Encomendados como artistas

Para futura edição

Não importando a imaginação

Se a terão ou não

Desde que produzam algo

Que se possa ler

Como: «Eu fiz algo

Para vos dar a saber.»

Os jornalistas são tantos

Que ocupam todos os cantos

Esperando sua vez

Em grupos de três.

«Vocês poderão não ter

Talento que se possa perceber

Mas isso não interessa

Pois são conhecidos

E toda a gente cai nessa

De comprar livros

Dos jornalistas referidos

Nos meios audiovisuais

Como os certos sinais

Para bem sucedidas edições

Com lucros nas intenções

Nossas, sem confusões

Em quaisquer apreciações.»

«Existem autores com criatividades

De grandes originalidades

Com floridas inspirações

Nas suas imaginações.»

«É verdade

Mas são desconhecidos.

Dá flores de criatividade

A estes bem-vindos

E vais ver como sairá

Prosa ou poesia

Que até espantará

Quem não se adia

Como super-letrado

Já antes identificado

Em qualquer lado

Por onde tenha passado.»

Assim foi feito

E houve flores para todos

Os que ficaram em modos

De interior criação

Para escrito como conceito

De literária obra

Em expectante recepção

Cheia de gente

A qual se dobra

Vergada na decepção

Mesmo à frente

Dos jornalistas

Que apenas dão

Como visíveis pistas

Uma certa imaginação

Que não será por aí além

Pois cada bem

Entregue em flor

Murchou de imediato

Causando um rubor

De vergonha no acto

Ao futuro editor

Que começa a balbuciar

Não sabendo explicar

O que se está a passar.


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Sobre

Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

Com uma equipe formada por escritores de diferentes idades e áreas do conhecimento, buscamos sempre oferecer conteúdo de qualidade, promovendo o diálogo entre gerações e perspectivas diversas.

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