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BRANCURA, DE JON FOSSE

Por Elias Antunes                                  

Narrado em primeira pessoa, o curto romance de Jon Fosse compõe uma trajetória com um enredo meio simples: um homem dirige seu carro a esmo, guiado por algo que não é explicado, mas com certeza uma mistura de fatores internos e externos, o qual entra em uma estrada vicinal, acabando em caminho dentro de uma floresta. O carro, de repente, patinha e não pode seguir viagem sem uma ajuda de alguém para socorrê-lo.

Começa a nevar e vir a noite.

Não há explicações claras sobre o personagem, nome, origem e motivo por que viaja sem destino. Apenas sabe-se que é um homem solitário e não é mais jovem.

Depois dessa insensatez, comete outra estupidez: sai do carro para andar pela floresta em busca de socorro. E o que encontra, isto é, quem encontra é cercado de mistério: primeiro uma criatura que não é humana e tampouco um animal. Não fica claro se se trata de um fantasma: uma luz, um ser de luz que não é uma pessoa, com certeza, no entanto está lá, e pode sentir sua presença e ter contato termofísico e ouvir sua voz.

Depois encontra seus velhos pais, também perdidos na floresta. A princípio não os reconhece bem, mas depois torna-se claro que são seus pais caminhando no breu da noite escura e nevada.

Em seguida surge um homem de terno e sem rosto. E a história, com menos de 60 páginas, vai-se encaminhando para o fim.

Nenhum mistério é resolvido. Isso acontece de forma intencional, para que o leitor leia as diversas camadas e saia com mais dúvidas do que certezas. Serão fantasmas? Será que o protagonista já está morto e por isso as imagens e vozes são difusas e confusas?

Fosse abole o ponto de interrogação, como se a pergunta já fosse uma reposta.

Ganhador do Prêmio Nobel de literatura de 2023, Jon Fosse traz nessa narrativa de maneira veloz (todo o texto tem apenas um parágrafo) em que cabe ao leitor chegar às suas conclusões.

Brilhante!    

Fonte da imagem: Foto do autor.


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