Nada acontece por acaso, principalmente quando ocorre algo inusitado. Foi na estação rodoviária do Rio de Janeiro que uma família de quatro pessoas – um casal de adultos e um casal de adolescentes – abordou uma jovem e pediu o seguinte favor:
– Boa noite, senhorita! Por gentileza, poderia fazer uma ligação para este número? Meu filho usou os dois celulares durante nossa viagem. Foram seis horas e meia, ele filmou, tirou muitas fotos. O Rio de Janeiro é muito lindo, e por isso não temos mais bateria.
– Sim, posso ligar. -respondeu a moça, pegando o aparelho. Durante a ligação, o rapaz pediu para falar com o tio dele. O homem com o olhar de fiscal para a moça disse sim três vezes.
Feita a ligação, a família, muito agradecida, a senhora entregou um pote de doce caseiro para a gentil menina. A mulher fez questão de dizer que havia feito tudo à mão e a fruta era da fazenda deles e tal.
Ela foi embora muito feliz com o presente. No final da tarde do dia seguinte, seu telefone toca, era o rapaz que ela fizera a chamada.
Após quarenta minutos de conversa, ambos descobriram que estudaram juntos na infância na mesma escola, mas em salas diferentes. Depois de muitos risos e algumas gargalhadas com as reminiscências. Assim marcaram um reencontro.
A primeira coisa que ele disse com um largo sorriso:
– Você é tudo que o meu tio confirmou e mais alguma coisa!
Aconteceu na primeira noite do inverno, faz três anos que ela recebe doces caseiros.
Ivone Rosa
@profaivonerosa
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