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O COLECIONADOR DE ALFINETES, DE CELSO CLÁUDIO

Por Elias Antunes                                  

            Um livro de poesias tem que manter sua organização e harmonia, mesmo de forma interna. E isso está bem colocado e realizado no excelente livro de poemas “O Colecionador de alfinetes”, do poeta e escritor Celso Cláudio.

            Celso consegue, além disso, trazer poemas de alto padrão com boa densidade poética, como em:

“PERDAS E DANOS

Toda lembrança

É o fracasso do resgate

Quando a boa companhia

Tem seu exílio decretado.

Ainda assim, santificaremos

essa estranha tentativa

de rechear-se com o vazio.

Que consolo haverá no hábito

de reunir perfurações

espalhadas corpo afora?

O flagelo latejante

é saber que o retirante

para sempre lhe foi tirado.

Perdas e danos,

vinde todos

ao óbito do dia!

Sois os viajantes

que não ficam…

e nem deixam

de ficar.”

(CLÁUDIO, 2002, p. 19)

            O livro está dividido em 5 livros menores, como se fosse um jogo, com estrutura bem formada, capaz de fazer repensar o processo criativo da poesia. Não seria tão somente pura inspiração, mas um equilíbrio com a expiração.

“DA RENDIÇÃO

Não há nenhuma isca de salvação

à pronta entrega na esquina.

Se a sina aponta a sua ponta

Pra que fugir de sua fisga?

De joelhos me rendo

A esta medida certa,

dose única,

balança sem vício.

Este busto de mulher com

os olhos vendados (para mim). (…)”

(CLÁUDIO, 2002, p. 43)

            Não falta em “O Colecionador de alfinetes” as justas homenagens a personagens da cultura, da música, da poesia etc., como no ótimo poema:

TAGORE BIRAM

Rever o teu poema é

o caminho mais curto para

avivar dentro dos olhos

as fotos que nem existem mais.

Quem há de lembrá-lo

quando o fonema se colore

para receber o habitante

que já não há?

Impiedoso o poder das pontas

vai exercendo seu poder

à moda dos alfinetes.

Profundamente se dispondo

para penetrar o latifúndio

da memória. Acabou tua hora

e o Anjo Desafinou.

Calórica, tua irreverência se apaga

e vira reverência à desvalia do amor.

À revelia de tua rima, vamos

nos acostumando com a ausência

de cada dia.

(CLÁUDIO, 2002, p. 105)

            Ler Celso Cláudio é entrar em contato com uma poesia lúcida, coerente e de alto nível. Assim, Celso Cláudio consegue estabelecer, neste premiado “O Colecionador de alfinetes” um diálogo belo e com um conteúdo poético exemplar com o leitor.

LIVRO: O COLECIONADOR DE ALFINETES

AUTOR: CELSO CLÁUDIO

PRÊMIO HUGO DE CARVALHO RAMOS, 2001.

140 PÁGINAS.

EDITORA MAX

Fonte da imagem: Foto do autor.


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