“Quando a ficha cai, pela décima vez”
Era hora que tirar a identidade da criança. A mãe faz o agendamento no Detran já explicando a situação. Chega o dia e eles vão. Até que diante da ansiedade de não saber se a criança vai se “comportar”, deixar tirar a foto, permitir ser tocada dez vezes, uma para cada dedo, para gravar as digitais, no fim correu tudo bem. De acordo com laudo apresentado e toda documentação necessária, sairiam dali com uma identificação que no futuro lhes ajudaria em outras circunstâncias. E afinal andar com a certidão o tempo todo já não era mais viável.
O documento saiu. Tudo certo. Junto ao RG, no qual já constava a condição da criança, veio um crachá com os dados que o classificavam como “Pessoa com deficiência” e o CID F84 (Código Internacional de doenças) sendo F84 a classificação para o TEA, nosso famoso “Transtorno do Espectro Autista”.
Voltaram para casa com essa questão resolvida. A mãe “satisfeita” por ter conseguido resolver algo que parece simples mas só ela sabe que não.
Mas, ao olhar a identidade e o crachá, percebeu ali uma confirmação, uma reafirmação, um caminho que ela já sabia que era sem volta e agora estava ali, fincado por escrito, registrado, carimbado e “assinado”. Passou a mão no documento pensando alto: “Isso aqui é que dói!”
Ela já sabia de tudo isso? Sim! Então?
Era a ficha caindo “pela décima vez”
O documento em mão era apenas uma batalha dessa guerra incessante que já é a vida de qualquer um porém é um pouco mais “temperada” na rotina atípica. Era um dos escudos para enfrentar as outras lutas diárias.
Vida que segue…
Até a próxima.
Josileine Pessoa F Gonçalves
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