No meio do riso, eu sigo calada,
feito janela fechada na casa iluminada.
Há vozes ao redor, copos sobre a mesa,
mas dentro do peito, só eco e incerteza.
Me chamam pelo nome, perguntam se estou bem,
eu sorrio de volta (ninguém nota ninguém).
Entre abraços mornos e conversas vazias,
carrego tempestades disfarçadas de dias.
É estranho sentir tanto frio em multidão,
como um barco sem rumo perdido na imensidão.
Tanta gente por perto, tão pouco para ficar,
como estrelas no céu que não sabem brilhar.
E quando a noite chega e o silêncio me vê,
desfaço os personagens que inventei para viver.
Fico só com o vazio sentado ao meu lado,
velho amigo invisível, sempre tão acostumado.
Mas ainda há em mim alguma chama acesa,
mesmo fraca, escondida entre a fumaça da tristeza.
Porque até no escuro, no fundo da solidão,
há um coração cansado insistindo em pulsar então.
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