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SÉRIE “NO DIVÃ COM A DONA EDUCAÇÃO” – Capítulo II: Pandemônio de informações (Ou seria uma Pandemia de Desinformações?)

E Dona Educação se despediu da Drª História perambulando entre as sensações de conforto e ansiedade. Na verdade, ela sentia que não entendera plenamente o que a História elucidara. Alguma coisa parecia estar faltando, ou parecia estar errada – e errada com a História – não com ela mesma – determinou.

Decidiu então procurar uma segunda opinião antes de seguir as recomendações da Drª História. Afinal, uma mesma história pode ter dois, três, quatro, cinco ou infinitos lados, né? E lá se foi a Dona Educação, com passos pedagogicamente firmes, rumo a busca de respostas sobre sua própria crise existencial, em pleno início da segunda década do século XXI.

Ao passo que seguia caminhando na Avenida das Possibilidades, percebia que as pessoas a evitavam. Como se ela estivesse doente, com algum vírus contagioso. Percebia que algumas pessoas que vinham na direção contrária a dela trocavam de calçada. Alguns olhares transmitiam desprezo, nojo ou desdém. Alguns pareciam até mesmo furiosos.

Nessa situação angustiante, sentiu vontade de voltar para casa. O seu endereço, muito conhecido – Rua da Cultura, S/Nº – era fácil de achar e ela estava acostumada a receber muitas visitas. Quem sabe ao chegar em sua casa, algum visitante inesperado poderia lhe explicar o que estava acontecendo?

Ao se aproximar do seu endereço, percebeu que havia mais alguma coisa errada. A Rua da Cultura estava irreconhecível – cheia de lixo contaminado com material radioativo: O Preconceito Enriquecido. E além deste havia um material biológico altamente contaminante espalhado por todos os lados que continha vários tipos de vírus e bactérias entranhados nele: A cepa da Teimosia, Colônias de Orgulho, micro-organismos de ganância e ódio, além de muitos outros. Um verdadeiro horror. Viu-se obrigada a usar algo para tentar se proteger. Improvisou uma máscara para cobrir-lhe a boca e o nariz. Uma tentativa, apenas…, mas uma tentativa.

Ao seguir em frente para entrar em sua casinha, outrora uma conhecida escola de pensamento, percebeu que a porta havia sido arrombada – e com muita violência.

Pé ante pé, adentrou cautelosa em seu templo violado, imaginando ainda estar ali o malfeitor. Só havia silêncio.

Alguma coisa estava errada. Mais errada do que antes.

Sentou no seu velho sofá. Achou o controle remoto. Olhou para ele. Olhou a velha TV de tubo. Num descrente e hesitante apertar de botão do dispositivo eletrônico, a máquina de desinformação começa a funcionar…

Os noticiários noticiaram as notícias noticiosas.

E ela começou a sentir a sensação de que estava a compreender o que estava acontecendo…

Uma pandemia “pandemônica” havia sido instaurada.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

Registrada sob o ISSN 2764-2402, a revista é totalmente eletrônica e acessível, com publicações regulares que abrangem poesia escrita e falada, crônicas, ensaios, entrevistas, ilustrações e outras formas de expressão artística. Seu objetivo é tornar a arte acessível, difundindo-a por todo o Brasil e além de suas fronteiras.

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