Por Elias Antunes
Tenho algumas perguntas, algumas questões quanto à “maluca” ideia de cancelamento, cancelam principalmente escritores, poetas e pensadores. Já não é algo estranho?
E quanto aos cantores que cantam umas músicas desclassificadas que incitam ao ódio, à violência, à promiscuidade e a outras coisas piores que a peste?
Outra questão: quem são os “deuses” que têm o poder de cancelar pessoas, destruir famas e reputações com um estalar de dedos, ou melhor dizendo, com alguns cliques e toques e chiliques e ibopes?
A lista é gigante e não faltam motivos para se cancelar alguém, mas não se deve separar o artista da obra, o homem (ou mulher) da sua criação?
Vou mostrar alguns nomes e me ater, com um certo constrangimento, tão somente ao universo artístico, pois se enumerarmos os políticos, então a coisa ficará incontrolável:
Bob Dylan
Pablo Neruda
Pablo Picasso
John Lennon
Jorge Luis Borges
Monteiro Lobato
Carlos Drummond
Gandhi
Albert Einstein
Simone de Beauvoir
Sartre
João Cabral
Raquel de Queiroz
Vargas Llosa
Louis Althusser
Mark Twain
Voltaire
Camões
Orides Fontela
Leonardo DiCaprio
J. K. Rowling
H. P. Lovecraft
Louis Céline
Charles Bukowski
Günter Grass
Virgínia Woolf
Ezra Pound
Ernest Hemingway
William Golding
Agatha Christie
Franz Kafka
Elvis Presley
(…)
Vou parar por aqui. A lista só aumenta e parece não ter fim. O problema real é separar o autor da sua obra. Não vou deixar de ler nenhum dos autores citados ou ouvir suas músicas ou apreciar seus quadros.
“A mais grave enfermidade que grassa em nossa vida institucional é a corrupção e o clientelismo”, como disse Darcy Ribeiro no seu “O Brasil como problema” que, aliás, deveria estar na lista de cancelados.
O ideal seria parar de cancelar os outros, porque quem fica cancelando, também merece ser cancelado.
Fonte da imagem: Foto do autor.


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