Ao pé do ouvido
Uma psicóloga renomada nas redes sociais esclareceu esses dias algo que não me era desconhecido porém detalhou o assunto por uma perspectiva que me veio a tona numa situação vivida há pouco com meu filho.
O barulho, o grito, para autistas com hipersensibilidade de sentidos, é algo que pode lhes causar um desalinhamento comportamental em vários aspectos. E como dito pela especialista, chega a causar dor.
Lembrei-me de quantas vezes me bateu arrependimento das outras tantas vezes que forcei um corte de cabelo na máquina, achando que a irritação era birra. Mas isso foi quando o autismo e suas características me eram desconhecidas.
Hoje corto o cabelo dos meninos em casa e na tesoura. Evito gritar, salvo os momentos em que meu lado “ser humano” falha.
Mas, por esses dias comecei a me dirigir ao Caio num tom mais baixo, quase surrurrado, até que ele me “pediu” (agarrando meu pescoço e levando meu rosto até sua orelha) que repetisse coisas ao pé do ouvido.
Abrindo um sorriso logo após eu falar e pedindo que eu repetisse mais uma vez. Então pensei que se o “falar alto” pode causar dor, ele havia acabado de me mostrar que o sussurrar poderia ser agradável a ele. Essa ocasião se repete em vários assuntos em que ele me pede para responder ao pé do ouvido. Assim o faço, ele sorri e meu coração sorri também.
Josileine Pessoa F Gonçalves
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