A vida é um sopro que o tempo carrega,
Um breve clarão que na noite se entrega.
Enquanto o universo, em silêncio profundo,
Gira infinito, sem fim e sem fundo.
Somos apenas poeira nas mãos do vento,
Um riso, um pranto, um rápido momento.
E o cosmos, imenso, nem sabe que existe
A dor que nos fere, a voz que resiste.
Nossos dias são folhas levadas ao rio,
Um frágil castelo de areia e de cio.
Mas sobre nós, calmo, o espaço profundo
Não move um só átomo, não muda um segundo.
Que somos nós, senão faíscas errantes
Num mar de estrelas frias e distantes?
A vida se apaga, o universo persiste
E nem um suspiro no vácuo se ouve ou se triste.
No entanto, é nesse contraste que brilha
O dom de existir, a chama que humilha
Toda a vastidão: pois só quem tem fim
Sabe o valor de um instante e o guarda em si.


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