Hoje eu estava cozinhando e lembrei da minha avó.
Ela me ensinou uma dica de ouro para temperar o feijão…
Ela fazia o tempero do feijão com alho e cebola, mas sempre me dizia que tinha um ponto certo, nem muito branco nem queimado, devia ficar dourado!
Eu sempre tentava, contudo queimava o alho, daí ela me disse que a cebola demora mais pra chegar ao ponto, enquanto o alho é mais rápido, mas que a combinação deles é essencial para que o sabor da comida fique maravilhoso.
Ou seja, para que se chegue ao ponto certo, primeiramente, devemos colocar a cebola e esperarmos o tempo dela, depois colocar o alho, o que fará, quase que instantaneamente, perfumar o ambiente e transformar qualquer comida em um prato delicioso!
Hoje eu nem estava cozinhando feijão, mas a combinação do tempero formado pelo alho e a cebola ponderados em seu tempo certo, trazem perfume para toda casa, sabor particular em qualquer comida e essência gastronômica que desperta o apetite em qualquer um.
Os demais temperos são acréscimos, sabores alegóricos, contudo, quando sinto a essência do sabor no básico, acentuado, trazido ao ponto ideal, vejo o quanto todos os outros não são essenciais…
Mas, no fundo, essa reflexão não é sobre temperos, sobre cozinhar alimentos ou refeições… é aprendizado sobre a vida, sobre os relacionamentos, as esperas, as respostas, os casais, a diferenças entre homens e mulheres, sobre respeito e sobre entender que o que realmente importa é essencialmente simples.
Penso que quando minha avó me ensinou a forma de fazer o tempero do feijão, frisando sobre o tempo do alho e da cebola, ela nem imaginava que isso traria tanta reflexão anos depois…
Posso estar errada, até porque cada um é um, mas vejo a cebola com uma essência feminina, emotiva, multifacetada, mas com um tempo maior para chegar no pódio da vida devido a tantas etapas a serem superadas, ultrapassadas e com tantos percalços que a mulher enfrenta.
Já o alho carrega o sabor forte do masculino, o tempo é mais célere para ele, os caminhos são menos sinuosos para o alcance das metas e a cronologia biológica, bem como a social, o faz chegar de forma mais rápida a seus objetivos.
Mas ao saber respeitar o tempo de cada um, o espaço cooperativo para atingirem um ideal, cedendo e comungando das mesmas metas, sua união torna-se forte, sua combinação compõe e é a base para muitos alimentos apetitosos, que sustentam e que não enjoam quando feitos repletos de amor.
É no respeito ao tempo de cada um, às suas particularidades e características, que se constrói o simples. Assim, provam ser uma dupla essencial e de sabor perfeitamente alinhado, capaz de dar paladar e alimentar o corpo, além de trazer memórias afetivas para a alma. Mostrar que compreendem o tempo de espera de forma respeitosa, coesa e unida é o que desperta o desejo saboroso da felicidade que se constrói com sabedoria.
E mais uma vez eu digo: Isso não é sobre tempero, é sobre vida!
Michelle Carvalho
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