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LOS HABITADOS, DE PIEDAD BONNETT

Por Elias Antunes                                  

            Nos exercícios deste texto, na qualidade de que sou um dublê de tradutor, procuro adentrar-me na obra forte e bela de Piedad Bonnett, a poeta colombiana, ganhadora do famigerado Prêmio Reina Sofia de 2024.

             Piedad Bonnett, consagrada poeta de língua espanhola traz neste “Los Habitados”, poemas que traduzem imagens e situações que se colocam entre o sonho e a realidade da vida.

            “VICENTE VAN GOGH MIRA LA NOCHE

un caballo azabache colgado de su muerte

Los ojos cristalinos detrás de la ventana 

su cabeza cortada coronada de estrelas

y la lengua del miedo

                                   sus papilas rosadas, su aspereza

¿Quién mastica y mastica detrás de mis oídos?

¿Quién cocea

Y me hunde em el pântano

De mis oscuridades

                                  donde alumbra

como una un pájaro en llamas la conciencia?”

(BONNET, s/d, p. 11)

VICENT VAN GOGH OLHA A NOITE

Um cavalo livre guiado pela morte

Olhos de cristal atrás da janela

Sua cabeça raspada coroada de estrelas

E a linguagem do medo

Suas papilas gustativas rosadas, sua aspereza

Quem rói e rói atrás das minhas orelhas?

Quem me bica?

E me persegue no pântano

De minhas escuridões

                       Onde brilha

Como se um pássaro em chamas a consciência?

(Tradução Elias Antunes)

            Os poemas estão carregados de imagens e signos que procuram dar um clima de escuridão e pesadelo, evocando a vontade de transformação e superação.

“RAMERA

De noche copulamos con la noche,

No le vemos el rostro,

pero oímos que gime,

que cruje como un camastro frágil,

que llora quedamente

sin entender su oscuridade de pozo

ni por qué están tan lejos las estrellas.”

(BONNET, s/d, p. 14)

RAMEIRA

À noite, copulamos com a noite,

Não vemos seu rosto,

mas ouvimos seu gemido,

que ela range como um berço frágil,

que ela chora baixinho

sem entender sua escuridão de poço

nem por que as estrelas estão tão distantes.

(Tradução Elias Antunes)

            Falar de Piedad Bonnett é descarregar um balde dentro do poço da poesia, para trazê-lo repleto e pleno de seu mais autêntico mistério do ato criativo. É descobrir a urgência da poesia para cada vez mais leitores alcançar.

         Fonte da imagem: Foto do autor.


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