Talvez o tempo, em sua marcha, tenha levado
aquilo que o silêncio não soube dizer;
e entre o que foi perdido e o que foi calado,
restou um vestígio difícil de esquecer.
Há certas ausências que o tempo não encerra,
nem o longe consegue enfim dissipar;
são marcas discretas, ocultas sob a terra,
que florescem quando a manhã vem chegar.
Guardei tantas palavras à margem dos dias,
por receio de vê-las desvanecer;
mas há sentimentos que, em suas sutilezas,
persistem justamente por não se dizer.
Se o acaso algum dia cruzar nossas estradas,
não sei se haverá o que outrora existiu;
talvez sejam somente lembranças veladas,
ou ecos de algo que jamais se extinguiu.
Não desejo ao passado um retorno impossível,
nem procuro no ontem aquilo que se foi;
há laços cuja força, embora imperceptível,
permanece onde o tempo jamais alcançou.
E assim sigo adiante, sozinha no sereno,
sem saber se o destino pretende intervir;
porém certas presenças, perdidas no terreno,
continuam conosco sem nunca partir.
IMY,NS
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