Élcio Mariano da Silva — Uma Vida Escrita em Versos
Em 9 de dezembro de 1933, em Mimoso do Sul, no lugar chamado Belo Monte, no Espírito Santo, nasceu Élcio Mariano da Silva.
Filho de Longuinho Mariano da Silva e Pucina Morette, veio ao mundo para escrever, com a própria existência, uma história feita de dores, recomeços, trabalho, amor e fé.
Carregava em suas raízes a força de seus antepassados.
Pelo lado paterno, seus avós eram Maria Pereira da Silva e Francisco Pereira da Silva. Pelo lado materno, Joaquina Alta de Andrade e Honório Morette, este descendente de suíços.
Sua infância foi vivida entre a Rua Serra, em frente ao antigo Campo da Independência — que permanece até hoje — e a Fazenda São Pedro, lugares que guardaram os primeiros passos daquele menino que um dia se tornaria poeta e trovador.
Mas a infância de Élcio conheceu cedo a palavra saudade.
Aos seis anos, perdeu sua mãe, que partiu deste mundo com apenas vinte e oito anos.
Era uma bela morena, de olhos verdes e cabelos finos.
Talvez tenha sido ali, ainda menino, que Élcio aprendeu que algumas ausências permanecem para sempre dentro da gente.
Sete irmãos caminhavam ao seu lado na estrada da vida: Sebastião, Lauro, Olício, Celícia, Dalva, Ênio e Jarson.
Aos quinze anos, depois de sofrer uma dura agressão do pai, Élcio tomou uma decisão que mudaria para sempre o rumo de sua história.
Fugiu de casa.
Não porque não amasse sua família, mas porque já não suportava carregar aquela dor e olhar para o rosto de quem lhe havia causado tanto sofrimento.
Saiu levando pouco nas mãos, mas carregando dentro de si uma vontade imensa de sobreviver.
Doente e sem condições de trabalhar, enfrentou dias difíceis.
Trabalhava durante o dia e estudava à noite.
Enquanto muitos dormiam, ele buscava conhecimento.
Enquanto a vida lhe fechava portas, ele procurava janelas.
Aos dezesseis anos, ouviu dizer que no Rio de Janeiro um carioca podia ganhar muito dinheiro.
E foi.
Foi atrás de uma vida melhor, sem saber que, muito além do dinheiro, encontraria naquela cidade novos caminhos, novos sonhos e a possibilidade de construir sua própria história.
O menino que um dia fugira de casa tornou-se homem.
E encontrou o amor.
Namorou durante quatro anos e, aos vinte e cinco, casou-se com Luci Vieira dos Santos, então com dezessete anos.
Desse amor nasceu uma grande família.
Foram dezesseis filhos, dos quais onze permaneceram vivos: oito mulheres e três homens.
E foi nessa família numerosa, entre alegrias, dificuldades, lutas e bênçãos, que Élcio encontrou uma de suas maiores riquezas.
Porque, apesar de tudo o que viveu, nunca permitiu que as dores fossem maiores que a sua fé.
E, já homem vivido, olhando para a própria trajetória, dizia com a simplicidade de quem havia descoberto o verdadeiro significado da riqueza:
“Sou um homem milionário, pois tenho JESUS em minha vida. Meus filhos são lindos, educados e têm saúde.”
E assim, aquele menino que conheceu tão cedo a perda, a violência, a fome, o trabalho e a solidão, encontrou no amor, na família e em Deus a sua verdadeira fortuna.
Élcio Mariano da Silva não foi milionário porque acumulou riquezas.
Foi milionário porque tinha amor.
Foi milionário porque tinha filhos.
Foi milionário porque tinha fé.
Foi milionário porque tinha Jesus.
Sua vida foi uma estrada de muitas pedras, mas ele aprendeu a transformá-las em degraus.
Foi pai.
Foi esposo.
Foi trabalhador.
Foi poeta.
Foi trovador.
Foi homem de fé.
E deixou, através de seus versos e de sua própria história, uma herança que dinheiro algum poderia comprar:
a certeza de que, mesmo depois das maiores tempestades, é possível continuar caminhando.
Hoje, sua história permanece viva na memória daqueles que o amaram.
E suas palavras continuam ecoando como uma oração:
“Agradeço a Deus, Pai, Filho e Espírito Santo.
Toda honra e toda glória.”
Porque algumas vidas terminam, mas suas histórias não.
E a história de Élcio Mariano da Silva continua sendo escrita no coração de seus filhos, de seus descendentes e de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer o homem que fez da própria vida uma poesia.
Seu corpo partiu um dia.
Sua voz se calou.
Mas seus versos ficaram.
E enquanto houver alguém para lembrar seu nome,
Élcio Mariano da Silva continuará vivo.
Como pai.
Como poeta.
Como trovador.
Como homem de fé.
E, acima de tudo, como um homem que descobriu que a maior riqueza da vida é ter Deus no coração e amor na família.


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