Pressa crônica
Jakeline de Melo Fenna
Outro dia estava sentada na área comum do meu prédio, um pouco agitada, aguardando meu irmão chegar. Ele estava demorando e eu impaciente, a todo momento conferia a hora no celular…como se isso resolvesse alguma coisa. Eu não tinha nenhum compromisso, mas não gosto muito de atrasos.
Foi então que um burburinho atraiu minha atenção: era a criançada brincando no gramado. Eles estavam se divertindo muito, brincando de mímica ou algo parecido. Tinha um grupinho de seis crianças. De repente, um garotinho de mais ou menos 9 anos, passou pelo grupo, parou, deu “um toquinho” na mão de cada um, riu com eles e correndo, seguiu na direção do Kiosky – um tipo de mercadinho daqui do condomínio. Fui absorvida pela cena.
O menino era esperto e ligeiro. Ele estava com o celular na mão, apontou para o QR Code que estava colado na porta, entrou e em poucos minutos saiu com um pacote de sal. Ele saiu correndo, todo serelepe. Na volta, por um tempinho, parou outra vez junto de seus amigos, colocou o pacote de sal no chão, sentou e começou a rir com eles, como se o tempo tivesse congelado. Quanta alegria! Dava gosto de ver.
De repente o celular dele tocou. Ele atendeu e como se despertasse de um sonho, disse que já estava indo. E fomos. Sim, fomos: ele pra casa e eu pra 1982… Não saberia dizer quantas vezes fui incumbida de ir à vendinha do Seu Sergipano, que não era tão perto, buscar açúcar, sal ou qualquer outra coisa de emergência para o almoço.
- Não demore, menina, vá num pé e volte noutro.
Minha avó sempre falava isso. No fundo, ela sabia que se eu encontrasse alguma coleguinha no caminho, a encomenda certamente atrasaria. Qual criança resiste a uma brincadeira, não é? Criança é sempre criança. E para a maioria delas, a vida é um mundo de cores e possibilidades onde o que importa mesmo é aquele momento, o presente. O tempo passa mais devagar pra garotada. Foi assim no passado, ainda é assim no presente e espero que seja no futuro.
Por um momento, pensei ter ouvido minha avó gritar meu nome, mas não, era meu irmão que havia chegado e estava me chamando. Fiquei tão feliz em vê-lo! Fui em sua direção caminhando, já sem pressa e grata a Deus por aquele momento.


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