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Projeto 16h – Edição Especial – Jul.26 – Conto Infantil – Coruja do Saber… – Daniela Castro

Raquel é uma menina bastante tímida. Ela tem quatro anos, frequenta a Escola Infantil Corujas do Saber. No primeiro dia que sua mãe a levou na escola para fazer a matrícula, Raquel se encantou com o espaço, as salas de aula, os brinquedos, a biblioteca com almofadas, a pracinha, o refeitório, tudo, tudo. Mas o que mais chamou a sua atenção foi o desenho de uma coruja enorme na parede da sala de entrada da escola. Raquel ficou apaixonada por aquele desenho, até porque, ela gostava muito de desenhar; em casa estava sempre desenhando…

      Quando chegaram a casa, Raquel correu para o seu quarto, pegou uma folha branca, lápis de escrever, lápis de cor, giz de cera, voltou para sala, sentou-se numa almofada, na frente da mesinha de centro e começou um desenho. O desenho era uma coruja, aquela coruja que ela viu na parede da escola. Desenhou, desenhou, pintou, pintou e… Pronto! Estava pronto o desenho!

      A mãe de Raquel que tinha ido para a cozinha preparar um lanche, aparece na sala para chamar a menina e viu o desenho de uma coruja nas mãos da filha. Fica maravilhada!

      – Raquel, que desenho é este?

      – É uma coruja mãe!

      – Foste tu que desenhaste?

      – Fui eu mãe! Gostaste?

      – Claro, minha filha! Ficou lindo! Qual nome dará para o desenho?

      – Vou chamar este desenho de Coruja do Saber.

      – Legal! É o mesmo nome da tua escola.

      – É. Só que o nome da escola é “Corujas” e não coruja.

      – É verdade espertinha!

      – Eu vi um desenho de uma coruja bem grande lá na escola e fiquei com vontade de desenhar uma, fiquei apaixonada pela coruja, mãe!

      – Que legal, minha filha, ficou muito bonita a tua coruja!

     À noite, Raquel foi dormir. No entanto, lá pela madrugada, Raquel acorda com um barulho na janela e não vê nada.

      Torna a dormir; não demora nem cinco minutos ouve-se, novamente, um barulho na janela, um som fininho fazendo clic, clic, clic…

      Raquel levanta-se e vai até a janela; dá de cara com uma coruja enorme, de olhos brilhantes a olhando direto no olho; dá um pulo para trás de susto e grita: “mãeeeee”! A coruja também se assusta com o grito de Raquel e cai no chão.

      A mãe de Raquel entra correndo no quarto, assustada com o grito da filha:

      – Que foi Raquel? Tiveste um pesadelo?

      – Não, mãe! Ouvi duas vezes um barulho na janela que me acordou. Fui até a janela para ver o que era, e mãe, não vais acreditar no que vi!

      – O que foi que viste, Raquel! Deverias de estar sonhando!

      – Não, mãe! Não estava sonhando. Eu vi uma coruja enorme me olhando pela janela. Só que me assustei e te gritei; ela se assustou com o meu grito e deve ter caído no pátio. Vamos ver se ela está lá ainda, deve ter se machucado com a queda!

      As duas correram para o pátio. A coruja estava lá caída, gemendo de dor, pobrezinha!

      – Viste mãe, como eu estava falando a verdade? Aqui está a coruja!

      – É verdade, minha filha. Vamos levá-la para dentro de casa, tem que ver se ela não está machucada.

      Com certa dificuldade, as duas conseguiram pegar a coruja e a levaram para a cozinha; colocaram-na em cima da mesa e esperaram… A coruja começou a se mexer e a gemer: “Ai, ai, ai, ai”!

      – Mãe! A coruja está falando!

      – Ai, ai, ai, ai, ajudem-me! Minhas asas estão doendo!

      – Coruja, coruja, tu falas! Diz a menina feliz da vida.

      – Falo sim, menina. Mas só com quem me interessa.

      – Que legal! Olha, mãe, que máximo! A coruja fala, vamos ficar com ela!

      – Calma, Raquel! Primeiro temos que ajudá-la com as asas, depois, veremos o que vamos fazer com ela, mas já te adianto, acho que aqui ela não poderá ficar.

      – Ah! Mãe! Ela tem que ficar com a gente!

      – Não sei, filha! Coruja é um animal silvestre, tem que ter a autorização do IBAMA para criá-la em casa. Mas, o momento agora é de ajudá-la e depois se vê isso.

      – Está bem, mãe! Mas não vou desistir de querer em ficar com ela.

      Examinaram as asas da coruja, houve um deslocamento em uma das asas, colocaram uma tala para mobilizar, deram alimento para ela, arrumaram um cantinho no quarto de Raquel para a coruja repousar e foram dormir.

      No outro dia pela manhã, Raquel acorda com a coruja por cima dela, olhando-a bem dentro do olho.

      – Coruja! Estás bem? Como está a tua asa?

      – Estou bem, menina! Levamos um susto uma da outra na madrugada.

      – Pois é. Mas o que fazes aqui? Como vieste parar na minha janela?

      – Eu vim ver um desenho que fizeste.

      – Como soube do meu desenho?

      – Sou a Coruja do Saber, foi assim que me chamaste, e por ter esse nome, eu sei de tudo o que acontece. Por isso estou aqui.

      – Bhá! Que legal! Fico muito feliz em saber que uma coruja veio ver meu desenho. Vi o desenho de uma coruja lá na escola que vou frequentar, apaixonei-me por ela e quis desenhar também. Vou te mostrar; está lá na sala, na mesinha de centro. Pousa aqui no meu ombro que te conduzirei.

      A coruja pousou no ombro de Raquel, suas asas ainda estavam um pouco doídas, no ombro da menina ficaria segura.

      Na sala, Raquel pega o desenho na mesinha e mostra para a coruja. Esta fica tão faceira que não cabe em si tanta felicidade, até se esquece da dor na asa. Dá umas bicadinhas no rosto da menina, como se a estivesse beijando, e diz:

      – Que desenho lindo! Vais ser uma grande desenhista! Que nome deste para ele?

      – Muito obrigada, coruja! Fico feliz por teres gostado do meu desenho! Dei o nome de Coruja do Saber, parecido com o nome da minha escola que se chama Corujas do Saber.

      – Gostei do nome! Assim vou me chamar agora, Coruja do Saber!

      – Não tinhas nome antes?

      – Não. Como vivo em florestas, sou livre, por isso não tenho nome. Mas agora pretendo me chamar Coruja do Saber, porque foste tu que deste e gostei muito.

      Neste momento entra na sala a mãe de Raquel e se espanta ao ver a filha e a coruja ali, conversando…

      – Raquel! Já estás de pé!

      – Oi, mãe! A coruja me acordou e pediu para olhar o desenho que fiz. Ela também gostou do nome que dei e disse que vai passar a se chamar Coruja do Saber. Viu, mãe, ela gostou daqui!

      – É verdade, senhora Mãe de Raquel. Gostei de tudo por aqui. Vim para ver o desenho de sua filha, que achei lindo e também do nome que ela deu para o desenho e por isso quero que me chamem desse nome “Coruja do Saber”.

       – Que bom que gostaste de tudo, Dona Coruja do Saber! Fico muito feliz por minha filha, que gosta tanto de desenhar. A tua asa, como está? Melhorou?

      – A senhora sabe que até me esqueci da dor na asa? Fiquei tão empolgada que acho que passou tudo. Já estou boa!

      – Que bom! Vamos tomar café? Devem estar com fome.

      As três, mãe, filha e coruja foram para a cozinha tomar o café da manhã e conversaram muito. A coruja contou sobre sua vida na floresta, o que fazia; como vivia… Raquel contou também sobre o que fazia; como vivia; que começaria a frequentar a escola… E sua mãe contou sua vida; como era ser mãe de Raquel e tudo o mais… Assim foram se conhecendo melhor, construindo uma forte amizade.

      Raquel, então, cutucou sua mãe sobre um assunto importantíssimo. Que seria da possibilidade de a coruja ficar e morar com elas. A mãe disse que teria que ligar para o IBAMA, que é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, pois teria que falar que apareceu uma coruja na casa delas, que elas cuidaram, ou seja, teria que contar tudo o que aconteceu. Depois disso, viria na casa delas um funcionário do IBAMA, olharia a coruja, de que espécie ela pertence, para então, bem depois, eles veriam se ela poderia ficar com elas.

     – Então, liga logo para o IBAMA, mãe! Eu quero que ela more com a gente. E tenho quase certeza que ela também quer ficar.

      – Como sabes que ela quer ficar? Perguntaste para ela?

      – Não seja por isso, mãe! Coruja do Saber quer morar com a gente?

      – Morar com vocês? Será que posso? Eu gostaria muito de ter um lar. Tenho vivido muito sozinha na floresta.

      – Oba! Viu, mãe? Ela quer morar com a gente! Liga já para esse tal de IBAMA.

      – Está certo! Vou ligar agora.

      A mãe de Raquel ligou para o IBAMA, contou sobre a coruja e eles ficaram de mandar alguém na casa delas para ver a ave. Até lá, a coruja foi ficando e tomando gosto e intimidade com elas. Se a coruja tiver que ir embora, será aquela choradeira. Mas tomara que ela fique.

      Passaram-se alguns dias e um funcionário do IBAMA apareceu na casa de Raquel. Ele viu a coruja, viu que ela estava sendo muito bem cuidada; ela resolveu não falar para não o assustar e ainda querer dar um fim nela; achou melhor ficar quieta, só olhava com seus olhos arregalados para ele, e, se caso ele olhasse para ela falando algo dela, simplesmente mexia a cabeça, dava uma bicadinha em sua mão ou ombro para ele saber que estava entendendo tudo do que conversavam. O funcionário ficou muito comovido com a história que Raquel e sua mãe contaram, viu o desenho de Raquel, percebendo que não foi por acaso que a coruja apareceu por ali. Contudo, finalizou sua visita dizendo que conversaria com seus superiores e logo daria retorno para elas, mas teria que, naquele momento, levar a coruja com ele para que a vissem no Instituto.

      Mãe e filha não gostaram muito de ficar sem a coruja, mas sabiam que seria o correto e o melhor que a levassem. Com certeza, ficariam em casa na expectativa de terem a coruja morando com elas.

      Não demorou muito, dias depois ligaram do IBAMA e pediram que elas fossem até o Instituto. Elas foram com os corações batendo disparados. Chegaram lá, foram recebidas com atenção; levaram-nas até onde estava a coruja, que assim que as viu batia as asas de felicidade e não teve dúvida, os responsáveis do Instituto autorizaram que a coruja poderia, a partir daquele dia, morar com elas. Para isso, a mãe de Raquel teve de assinar um papel, que era o termo de responsabilidade legal pela coruja, prometendo que nada lhe faltaria, desde os cuidados com a alimentação, saúde e bem-estar da ave.

      As três, Raquel, sua mãe e coruja voltaram para casa muito felizes e animadas, fazendo planos para o futuro e que se tornariam uma grande família.

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