Com o tempo, ouvindo tantas histórias no consultório, nos plantões, nos corredores silenciosos da saúde e, principalmente, observando a vida acontecendo, aprendi que o bom humor é, acima de qualquer outra coisa, uma forma de inteligência emocional, uma maneira sábia de se posicionar diante da vida, sem negar a dor, mas escolhendo não viver aprisionado por ela. Não se trata de rir o tempo todo ou de sustentar uma alegria artificial que mascara o que realmente sentimos. O bom humor que transforma é aquele que nasce da consciência de que a vida é complexa, mas não precisa ser pesada a ponto de nos endurecer. É a capacidade de encontrar respiro em meio ao caos, de transformar tropeços em histórias, de criar vínculos a partir de pequenos instantes de leveza.
Nos meus trabalhos voluntários, em especial aqueles centrados na escuta, percebo como as pessoas vão perdendo o gosto pela vida justamente quando se desconectam da alegria simples, daquela que não custa nada e não exige cenário perfeito para acontecer porque vem de dentro da gente e se amplifica através do contato com o outro. Quando isso acontece eu percebo que muitas chegam carregando não apenas tristeza, mas um cansaço que vem da tentativa de controlar tudo, de ser forte o tempo inteiro, de achar que leveza é sinônimo de irresponsabilidade. E não é! A leveza é cura! O bom humor é ponte! E jamais devemos nos culpar por buscar nossa felicidade genuína, que nada tem a ver com fórmulas ou formatos prontos.
Rubem Alves dizia que “a alegria é a prova dos nove”. Ele acreditava que o riso não é superficial, mas sim um sinal de que a alma ainda tem espaço para dançar, apesar das dores que insistem em nos visitar. Já Viktor Frankl, sobrevivente de campos de concentração e psiquiatra existencialista, defendia que “o humor é uma das armas da alma na luta pela sobrevivência”. Ele sabia, por experiência própria, que uma pequena centelha de humor pode salvar uma pessoa do desamparo absoluto. E Mário Quintana, com sua poesia despretensiosa e delicadamente profunda, nos lembrava que “o sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores”. Talvez por isso o bom humor seja tão essencial, porque ele cria abundância, ele multiplica leveza onde antes havia rigidez, ele aproxima onde havia silêncio, ele cria vida onde parecia existir apenas rotina.
O bom humor não neutraliza a dor, mas devolve perspectiva. Ele não apaga problemas, mas nos devolve a força necessária para enfrentá-los sem nos perdermos de nós mesmos. Ele nos lembra que “ser sério” não é o mesmo que “ser sisudo”, e que maturidade não exige infelicidade. Por isso deixo para vocês uma provocação carinhosa:
Quando foi a última vez que você riu com gosto?
Quando permitiu que sua alma respirasse entre um compromisso e outro?
Quando ofereceu a alguém, ou a si mesmo, esse tempero tão essencial?
No final das contas, o bom humor não é apenas um ingrediente, é o que dá sabor, cor e sentido aos dias, é o que nos lembra que viver vale a pena e que apesar das tempestades, ainda existe sol. É ele que, mesmo em meio ao caos nos mostra que ainda podemos florescer. E, se pudermos escolher um tempero para a vida, que seja o bom humor suave, profundo, humano… O tempero que transforma tudo o que toca.
(Esse texto é da minha própria autoria- Luiza Moura de Souza Azevedo).
Participe também dessa coluna! Envie o seu texto (de desabafo ou reflexão) para o email Imsn_91@hotmail.com ou entre em contato pelo instagram @luiza.moura.ef. A sua voz precisa ser ouvida! Juntos temos mais força! Um abraço afetuoso e sintam-se desde já acolhidos!


Deixe um comentário