Semana começando, você idealiza novos projetos. Alguns pequenos como por exemplo, fazer compras de supérfluos para dar um toque novo no ambiente de sua casa. Foi exatamente o que planejei, contabilizando meus dias de folga merecidos.
Final da tarde, saindo de um bazar com duas sacolas e a outra bolsa com meus pertences. Calçadas estreitas e ainda temos de disputar espaços com os vendedores ambulantes. Nasci desajeitada, sempre esbarrando nas pessoas…
Na esquina seguinte, avistei uma grande banca de plantas. Aah, flores! Eu não resisto a curiosidade de perguntar os preços. Belíssimas flores de maio, surpresa por estarem desabrochadas em pleno mês de julho?! Lindas e sedutoras!
O rapaz, excelente comerciante, percebeu o meu olhar de encantamento. Saí da banca carregando uma caixa de papelão com dois vasos da linda planta.
Caminhei até ao shopping, queira muito um café. Nesse momento, me dei conta de que não poderia segurar mais nada. Resolvi chamar um carro por aplicativo. Minha auto censura gritou com meu inconsciente: ‘Não carregou a bateria do telefone?!” Não. Havia dois por cento, somente.
Alegre demais pelas flores, não vejo problema algum em pegar ônibus. Dinheiro? Você tem dinheiro? – pensei. Novamente fiquei tensa. Abri a carteira e só tinha três reais. Insuficiente para o preço da passagem. O pânico aumentou, porém, reagi. Pedindo calma em voz alta, revirando o fundo da bolsa, torturando as flores e as bolsas no chão. Ouvi pessoas reclamarem por eu parar a fila diante da porta aberta da condução. Sorri sem graça, a seguir sorri com vontade ao contar o valor das moedas!
Passei na roleta, arrumei espaço para outra pessoa sentar. Quando olhei pela janela, o trajeto era outro. “Que caminho é esse?” – perguntei ao passageiro do meu lado.
Logo veio a confirmação: entrei no ônibus errado! Desci no ponto seguinte com vontade de chorar. Local estranho…sem táxis. A noite avançava, eu sentia fome. Caminhei em direção a uma praça, pensando no que fazer. Segurava a caixa das flores como se fosse um bebê, olhava para elas, sorrindo. Pensei na possibilidade de vendê-las, ali na praça. Minhas lágrimas escorreram.
Finalmente vi uma solução em um mercadinho com caixa eletrônico. Após enfrentar uma pequena fila, desesperei-me no momento em que minha digital foi recusada por causa de uma queimadura. Chorei, chorei alto. Chamando a atenção de pessoas ao redor. A gerente do mercadinho me ouviu atenta e gentilmente pediu que eu aguardasse meia hora. Voltei para casa de carona no caminhão de entrega.
IVONE ROSA
@profaivonerosa
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