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Senhor, não os deixe sofrer – Por Josileine Pessoa

Ela desejou sentir qualquer coisa que o filho estivesse sentindo, pois assim seria menos doloroso que vê-lo sofrendo e não poder fazer nada.
É assim que as mães atípicas se sentem quando seus filhos estão com alguma dor porém não sabem se expressar. Como quando são bebês e na hora do choro não sabemos se é cólica, fome ou outra coisa qualquer.
Em casos mais severos é difícil até administrar uma medicação. Arriscamos algo para dor. Uma dor que nem sabemos onde e o que é direito. Então o leitor se pergunta agora. Por que não leva ao médico.
Certa vez uma criança, nível 3 de suporte dentro do espectro, não parava de chorar como se algo a incomodasse. Os pais decidiram levar na emergência e tentar um atendimento. A fila de prioridade estava com alguns casos na frente mas conseguiram esperar. A criança tinha idade para falar mas não tinha essa habilidade. No hospital seguiram com os procedimentos básicos e o primeiro deles era tirar sangue para verificar qualquer coisa. A criança não aceitou e se debatia muito, mesmo com o pai e a mãe segurando ficou impossível. O enfermeiro desistiu alegando que se não ficasse parada não havia como tirar o sangue. Não foi medicada e voltaram para casa.
Em outra ocasião, uma família seguiu para o hospital com um autista adolescente também nível 3 de suporte para uma emergência pois, aparentemente houve reação alérgica a uma medicação passada por um médico de atendimento remoto online. Já na triagem começou o desespero. Era preciso verificar os batimentos, ver peso, medir febre, etc. Claro que um autista severo que mal aceita toque não deixaria tudo isso facilmente. A “moça” da triagem não estava muito “disposta”. Perguntou se a criança tomava medicação. A mãe respondeu que sim e ela logo em seguida indagou a mãe por “algo mais forte” que acalmasse porque “daquele jeito” não ia dar. Após esse tratamento vip seguimos para a medida que depois de examinar de longe passou medicação e o famoso exame de sangue. E lá vai a família arrumar alguém que ajude a segurar um rapaz de quase um metro e setenta de altura e quase 70 quilos para tirar o sangue.
Tentam entrar na sala, com muita dificuldade, um maqueiro simpático ajuda na distração com o controle da maca que chamou a atenção do “pequeno” rebento. Ele senta na maca, distrai, a mãe monta em cima e trava as pernas, o pai segura os braços, ele resmunga e faz muita força. A mãe ora para o fim daquilo tudo. Acabou! Pelo menos essa parte. Saíram sem esperar o resultado que pegaram depois, é claro.
E por aí se vão inúmeros casos de mães que oram todos os dias para que seus filhos tenham saúde de ferro, tendo em vista tudo que já se enfrenta numa rotina atípica. Enfim, se tiver que acontecer algo, que seja com elas e não com eles.


Josileine Pessoa Ferreira Gonçalves.

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