GRITO ENGASGADO
Não tem espaço para falar
Joga no canto
Canta, que cantar
Os males espanta
Não tem espaço para falar
Então se cale
Retorne a caminhar
Pense no que realmente vale
Não tem espaço para falar
Há espaço para o que então?
Tentativas de silenciar
Emudeceram o coração
Não tem espaço para falar
Não tem espaço para chorar
Não tem espaço para poetizar
Nem mesmo para pensar
Só tem espaço para reproduzir
Inibir, coibir
Não tem espaço para falar!
Mas “tá” liberado para sorrir
Então o espaço é rasgado
Como um papel gigante
Todo picotado
E a fala se torna gritante
Fala, grita, chora
Pensa, e agora o espaço foi criado
Agradece, ri e ora
Como se tivesse libertado
A voz que em outrora
Agonizava calada
Por libertação
Por Kathlyn Almeida in Poesia Germinando


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