Não sei em qual esquina do caminho me perdi,
Em qual silêncio teu foi que eu não te ouvi.
Carrego gestos, palavras, cuidado e atenção,
Mas parece que tudo se dissolve em tua mão.
Há dias em que teu olhar me faz acreditar,
Que existe um lugar onde eu consigo ficar.
Mas logo a maré muda sem qualquer explicação,
E me deixa à deriva na mesma confusão.
Talvez seja por isso que eu viva a perguntar,
Se existe algo em mim que não consigo mostrar.
Se o afeto que entrego se embaralha ao partir,
Ou se meus sentimentos não sabem traduzir.
Porque eu tento ser abrigo quando o mundo é vendaval,
Tento ser presença quando tudo parece mal.
Mas por mais que eu me esforce, algo insiste em escapar,
Como se o que eu ofereço nunca fosse alcançar.
E dói pensar que talvez eu jamais consiga provar,
Aquilo que meu peito não se cansa de guardar.
Como se cada demonstração, cada esforço meu também,
Fosse apenas insuficiente aos olhos de alguém.
Entre aproximações e distâncias sem razão,
Nossa amizade dança sem seguir direção.
Às vezes parece encontro, às vezes despedida,
Às vezes és a resposta, às vezes a ferida.
E o que mais me entristece nessa eterna indecisão,
Não é a falta de certezas ou qualquer negação.
É sentir que tudo o que sou, tudo o que posso oferecer,
Nunca parece bastante para te fazer entender.
Então guardo minhas dúvidas onde ninguém vê,
Perguntando em silêncio se o problema é meu ou você.
Enquanto essa irmandade, tão confusa quanto bela,
Acende esperança em mim e logo apaga a vela.
Jamais serei o peso que repousa sobre os teus dias.
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