Na semana passada, no finalzinho da tarde de sábado, eu arrumava minhas roupas no armário, com a janela aberta, quando ouvi uma conversa bem interessante entre adolescentes que, infelizmente, terminou em discussão. Moro no segundo andar, e a garagem no térreo tem uma boa acústica. O assunto chamou minha atenção devido ao argumento da menina. Por não gostar do seu sobrenome, omitirei o nome que ela julga constrangedor.
Ela, em sua autodefesa, disse com propriedade que fez uma pesquisa e descobriu que os sobrenomes surgiram de apelidos, relacionados à região onde as pessoas moravam, à profissão ou a características físicas. Houve muitos risos e gargalhadas.
Gostei bastante quando ela caprichou na pronúncia do sobrenome de origem alemã: Schumacher, que significa sapateiro. Quem trabalhava com ferro, o apelido era Ferreira, os apelidos se tornaram sobrenomes em registro oficial. Até aí, tudo bem! Porém, quando o assunto veio para a atualidade, ela mencionou que alguns apelidos causam bullying… a coisa ferveu! O grupinho trocou ofensas e “palavras cabeludas”. Um morador interveio e, assim, a garotada foi embora para suas casas.
Os apelidos, hoje, deveriam ser sempre carinhosos. É lamentável que rotulem pessoas por conta de sua aparência ou condição social. Vivemos em tempos de guerra digital, onde o desrespeito impera e pessoas que deveriam dar o exemplo são ainda mais bélicas.
Existe uma grande diferença entre uma brincadeira entre amigos e o escárnio ou o menosprezo. Isso sem contar a decadência do tratamento em uma paquera. Lembrei-me, por exemplo, de algo que presenciei na rua há muitos anos. Uma mocinha linda, de cabelos compridos e cacheados, andava pela calçada. Um rapaz de bicicleta diminuiu a velocidade ao passar ao seu lado gritou: “Oi, potrancaaaaa!” Ela empinou ainda mais o corpo e sorriu.
Estarrecida, pensei: “Será que ela sabe o significado desse nome?”
Ivone Rosa
@profaivonerosa
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