“E tu és como a lua: inda és mais bela
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minha’alma.”
Álvares de Azevedo
E lá estava eu naquela rua,
Coberto pelo orvalho noturno,
Contemplando as trevas do céu estrelado
Que por acaso
Refletia o imenso vazio
De meu amargurado coração…
Ventava frio e as folhas cantavam
Com os galhos secos, por todos os lados.
Assim regia o vento, fortemente,
Em sussurros agudos, estremecido…
Suspirei, e o meu peito aqueceu…
Ela me olhou, virando o rosto,
Como quem deixou algo para trás,
Surgindo daqueles negros cachos, lindos e sedosos,
Que a escondiam de mim!
Torturavam-me de saudade,
Esperando o eclipse chegar ao fim…
E o mundo parou para admirá-la,
As folhas calaram e o vento se acalmou
Só por serem iluminados pelo sorriso dela!
Então meu peito acelerou, pois sua meiguice
Tentava preencher um abismo em mim…
Ah! E sua beleza cresceu, mais e mais,
Até eu ficar perdidamente, cara a cara,
Com você…
Sem saber o que fazer
E nem o que lhe dizer…
Ah se meus pensamentos falassem!
Ela não teria ido embora
Sem ao menos ouvir o meu “Eu te Amo”…
Ai ai, eu sei que você pode voltar
Me encantando outra vez,
Preenchendo meu vazio
E eu, o seu…
Mas acho que não sou o único
Por você apaixonado…
Ouvi dizer que há cantadores, artistas, poetas e Astros
Loucos de amor, querendo você e seu beijo.
Porém, eu sou o único que te espera
Do Minguante retornar…
Ó minha bela morena,
Doce e gentil, vem me enluarar
Com seu cândido sorriso!
E mesmo você estando Nova,
Nos meus sonhos estará sempre a brilhar.
Ó divina luz da madrugada
Me ilumina nesta triste rua!
Minha Deusa Amada,
Minha Serena Lua.
Ezequiel Alcântara Soares
***
SOARES, Ezequiel Alcântara. Destinado à solidão. São Gonçalo, RJ: Editora P&P, 2024.


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