Grito calado ressoa no peito,
um eco contido, imperfeito, desfeito;
palavra nenhuma consegue alcançar
a dor invisível que insiste em morar.
É um peso sutil, mas tão persistente,
que habita em silêncio, constante, latente;
ninguém vê o traço, o risco, o sinal,
do abismo que cresce num plano mental.
E o nervo se agita por quase nada,
uma mínima falha, uma frase truncada;
o simples se torna um ponto final,
um fim de universo em versão pessoal.
As coisas pequenas se expandem demais,
ganham contornos de dores reais;
na mente, ampliam-se em distorção,
e tudo se perde na imensidão.
Por fora, a calma ensaia existir,
mas dentro há ruídos difíceis de ouvir;
é guerra travada sem plateia ou voz,
um caos silencioso que grita em nós.
Queria a paz de um sentir contido,
um breve descanso do que é sentido;
um sopro de leveza, um tempo sem dor,
um dia sem peso, sem tanto temor.
Queria o silêncio que traz equilíbrio,
um corpo sem pressa, distante do vício
de sempre temer o que nem começou,
de sempre sofrer pelo que nem chegou.
E enquanto esse grito persiste em calar,
sigo tentando reorganizar;
entre o caos e a busca por luz interior,
aprendo a existir apesar da dor.
Gostou?! Então, assine, gratuitamente, a nossa newsletter e receba, no seu e-mail, as publicações da revista.


Deixe um comentário