Não existe nada mais sério do que crianças brincando.” Faz muitos anos que li esta frase, não me recordo onde. Porém, uma certeza é: se há crianças brincando, há perigos ao redor.
Não só me refiro às brincadeiras genuinamente pueris da minha época, tais como brincar de roda, amarelinha, casinha…entre outras. Nesse período havia brincadeiras de grandes riscos, como corrida no carrinho de rolimã (mal construído com pregos expostos) em uma rua totalmente desnivelada e esburacada. Tombos eram pra lá de normais, sem mencionar os cortes na cabeça do dedão do pé!
Ninguém pensava nos riscos, todos queriam diversão! O melhor dessa garotada era a liberdade respeitosa nas artes desse lazer. Não fazíamos a divisão de acordo com o gênero. Era tudo junto e misturado, soltar cafifas, pular carniça, mocinho e bandido, bem como “chicotinho”. Formávamos um grande círculo, sentados, e escolhíamos um mestre que deixava um pequenino galho de árvore atrás da criança escolhida sem ela perceber. O mestre corria para longe e era preciso alcançá-lo para não sair do jogo.
Certa vez, minha amiga ficou com uma queimadura terrível! Causada por uma lagarta peluda (sauí) que estava no galho do tamarindo, o tal chicotinho.
Houve uma que, particularmente, julguei a pior de todas! Três meninos resolveram pegar um tronco de uma árvore caída há algum tempo. E vieram arrastando pela rua. Desistiram no momento porque ficaram cansados. O tronco era comprido e pesado. Era finalzinho da madrugada, caía uma chuva fina. A rua deserta parecia gostar da presença daqueles garotos. Quase na rua principal, resolveram abandonar o tronco ali mesmo. Já não chovia mais. Usaram um grande plástico preto para cobrir o tronco e voltaram para suas casas.
Duas horas depois, várias pessoas estavam ao redor e estranhos comentavam que foram vários tiros. Outros cochichavam, dando nome ao defunto. Uma senhorinha acendeu uma vela, choramingando. Os autores da travessura gargalhavam à distância! Até que chegou um carro da polícia. Quando ouviram a sirene, os três desapareceram e só voltaram para as brincadeiras em grupo após um bom castigo de seus pais, que não ficamos sabendo.
Ivone Rosa
@profaivonerosa
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