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Equilíbrio – Por Josileine Pessoa

O equilíbrio


– Nossa, há dois dias tive um momento muito bom! Deu tudo certo!


– Poxa, que bom! Conte mais sobre isso!


– Estou feliz com minha conquista.
As crianças estavam bem e calmas. Estava até me sentido estranha.


– Estranha por que?


– Parece que quando a gente se habitua no “desespero” diário a calmaria chega até “incomodar”.


– O que te incomodou de fato?


– A sensação estranha que de logo a tempestade ia cair.


– O importante é que você tenha aproveitado o momento bom.


– Eu aproveitei mas…


– “Mas” o que… continue!


– Mas é que as vezes parece que o ditado nos soa ao contrário: Depois da bonança, se prepara que vem tempestade das brabas…


(Silêncio por alguns minutos)


– Quer me falar dessa tempestade?


– Não sei… (choro)


– Se quiser desabafar em pensamentos e lágrimas, sinta-se a vontade. Estarei aqui, só ouvidos, sem julgamento.


(Suspiro profundo)
– Duas crises no mesmo dia! Eu não aguento mais isso! Os momentos bons são sempre atravessados por um desespero qualquer… Sinto culpa, dor, vontade de morrer, vontade de viver de outro jeito!


– Você falou sobre o seu dia de felicidade e calmaria, certo? Um dia inteiro!


– É.


– Quanto tempo as crises duraram?


– Começaram quando estava anoitecendo, duraram uns 30 minutos cada uma.


– Os momentos ruins sempre parecem maiores ou mais longos que os momentos bons mesmo. E eles não vão parar de acontecer enquanto houver vida. Mas me diga o que houve depois da crise.


– Chorei por horas! E no outro dia o dia todo!


– E agora?


– Ainda dói!


– Bom, já que o foco da dor é no mesmo lugar de onde se sente alegria, vamos falar sobre o seu dia feliz como analgésico para este tormento.


– Ahh! (respirou fundo e levantou a cabeça passando a mão no rosto como quem manda embora a tristeza) Foi um dia incrível, encontrei pessoas legais, conseguir curtir todo o evento sem ter que voltar para casa correndo por causa das crianças…

*****
E assim a mãe seguiu contando sobre seu dia feliz. E enquanto criava uma memória boa em meio ao caos, ia se curando e se fortalecendo. Valorizando aquilo que importa. Dividindo seu coração com o bem e o “mal” eternos da maternidade atípica.


Josileine Pessoa F Gonçalves
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