Querido Diário,
Nossa protagonista de hoje é uma criança, na pré adolescência, cheia de medos e inseguranças, mas que vive atacando para se defender. Típico desse bando nesta fase da vida. Um turbilhão de coisas na cabeça, quer ter certeza de tudo mas não sabem de nada.
Isso tudo numa adolescência típica já é difícil, então vamos triplicar tudo e imaginar uma adolescência atípica. Considerada antes nível 2 de suporte, porém com a intervenção correta passou a nível 1. Vamos chamar esta criança de AA (adolescente atípica). Que chega a escola já um pouco atrasada então corre para se juntar aos outros sem querer ser notada mas instintiva e internamente gritando por atenção.
Após cumprimentar a professora, ela se ajeita na cadeira e acompanha a aula. Sem material, a Profe se aproxima para lhe dar uma folha e um lápis.
Prof: Aqui está! Pode usar esta folha e este lápis.
AA: Eu me odeio, sabia?! (A criança disse assim de sopetão)
Prof: Você se odeia? Por que? (Enquanto pergunta a profe se aproxima mais para o assunto não render na turma toda)
AA: Porque eu sou feia!
Prof: Quem lhe disse isso?!
AA: Eu sei que sou! Meu rosto… O problema é que eu sou autista!
Prof: Você já se olhou no espelho? Você é linda! Tem os olhos um pouco esverdeados e seus cílios são lindos!
A criança se manteve em silêncio mas demonstrou aos olhos uma vontade de chorar que segurou firme. Respirou fundo, fechando as pálpebras devagar e abrindo novamente! Não era a primeira vez que ela demonstrava tal comportamento em relação a si própria.
Prof: Você é linda e cada um é único! Autismo não é o seu problema! E a sua inteligência?! Você tem uma letra impecável!
Assim continuou a Profe até que o semblante da criança mudasse! Com o coração apertado, voltou ao conteúdo. Mas no fundo sentiu aquela vontade de se meter um pouco mais. Saber o que houve para que chegasse a ter esse pensamento. E se indagando o quanto os responsáveis eram envolvidos ou não com essa criança nessa fase tão difícil.
Pouco antes do fim da aula reparei que uns alunos estavam comentando e acabaram falando “da autista”. E ela se defendeu como um animal acoado, rugindo por fora mas chorando por dentro.
A professora pagou um sermão e todos pediram desculpas! Mas isso não tirou a angústia de seu coração em relação a aluna.
OBS: Baseado num relato real
A tendência a sintomas depressivos nesta fase em pessoas atípicas é enorme! O que estamos fazendo com os nosso adolescentes autistas para que isso não aconteça?
Bom, esse é mais um “vespero” que precisamos encarar!
Até a próxima!
Josileine Pessoa F Gonçalves
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