Por muito tempo, tive medo dos pingos quando caiam do céu.
O desespero tudo tomava,
As gotas se juntavam, enchiam, jorravam,
Molhando os sonhos, derretiam, borravam.
Levando consigo a segurança
Não vindo, após ela, a bonança
Deixando o úmido sentimento
De medo, desesperança.
Após molhar-me repetidas vezes
Com a chuva que trazia lágrima,
Entendi que eu chovo meu bem,
Sou gota, sou água, sou chuva também.
Me deixei estar nela, ser ela, ser dela…
E saí do abrigo, não há mais perigo.
As gotas escorreram em mim
E o medo do que também sou,
Rapidamente calou,
Partindo, enfim…


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