A ferida se abre quando tentam fechá-la
Algo escuro escoa dela, como um corpo em autópsia
O silêncio sucede um grito que não se cala mesmo após a sutura
Pensaram que iriam fechar o ciclo
E condenaram o que já foi
Moveram o túmulo, mas não enterraram os fantasmas
A escuridão agora tem um novo recipiente que a prende em cadeias mais pesadas
Buscaram a resposta para aquele mito de setenta anos
Que se tornou uma pergunta sem final e sem descanso
Uma obsessão sem planos
O corpo se move enquanto é costurado
Seus restos deslizam pela terra, deixando em seu rasto um cheiro de cobre, terra e o que resta enterrado
Recusando-se a prender a inspiração
As suturas se tensionam e o corpo vive
Porque o que morre deve nutrir a dor que persiste


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