Vivemos em uma época em que a palavra “igualdade” é frequentemente usada como um slogan, um rótulo ou uma arma, mas raramente como uma prática coerente. No poema A Tal Igualdade, Renato Cardoso — o criador da Revista Entre Poetas e Poesias — toca justamente nesse ponto: a distância entre o que se proclama e o que se vive. Com versos curtos e diretos, ele expõe o risco de usarmos ideais nobres como cortina de fumaça para sentimentos nada nobres.
A tal igualdade
Enquanto o desejo de igualdade,
estiver encoberto pelo ódio
e pela queda do próximo,
o amor dará lugar a insanidade
e a humanidade nunca irá prosperar.
Enquanto a igualdade for defendida
por falácias e proferida ao vento
a coletividade dará espaço ao eu
e a poesia da vida não exisitirá
A poesia como denúncia de um discurso corrompido
“Enquanto o desejo de igualdade, estiver encoberto pelo ódio / e pela queda do próximo”
Logo nos primeiros versos, somos confrontados com um paradoxo que se tornou comum: discursos que falam de amor, mas partem do ódio. Que proclamam igualdade, mas desejam ver o outro no chão. Há aqui um forte traço do Estrategista: lúcido, consciente da hipocrisia alheia, e que usa as palavras como ferramenta de posicionamento ético.
O traço estrategista, quando está em recurso, se destaca por enxergar as estruturas por trás dos discursos. Ele vê o jogo escondido nas entrelinhas e denuncia a incoerência com precisão. Neste poema, o eu poético não está tentando emocionar. Ele está confrontando. Está nomeando o falso moralismo travestido de boas intenções.
Crítica com sobriedade e responsabilidade
“Enquanto a igualdade for defendida / por falácias e proferida ao vento”
O poeta denuncia a falácia. A palavra dita ao vento. O discurso vazio, sem ação correspondente. O traço Estrategista é profundamente comprometido com a verdade estrutural das coisas, e, por isso, recusa a maquiagem dos discursos. Ele busca coerência entre o que se diz e o que se faz. Não há aqui sentimentalismo. Há um senso de responsabilidade e de lógica ética.
Isso se expressa também na estrutura do poema: versos curtos, objetivos, com construções simples, mas afiadas. O autor não busca rodeios nem estéticas rebuscadas, porque seu alvo é a clareza. A mensagem precisa chegar, e chegar com força.
Um chamado à lucidez
Este é um poema especialmente potente para o público da Revista Entre Poetas e Poesias. Em um tempo de polarizações barulhentas, o poema convida a uma reflexão madura: estamos defendendo causas ou apenas escolhendo lados? Estamos promovendo equidade ou apenas trocando quem oprime e quem é oprimido?
Esse chamado à lucidez é um gesto de responsabilidade poética. Renato, como educador e criador da revista, oferece não só versos, mas ferramentas de leitura crítica do mundo. Algo bem raro num tempo de discursos inflamados e pouca escuta real.
Esse poema pode ser uma excelente porta de entrada para debates sérios sobre ética, política, cidadania e comunicação. Mais do que um poema bonito, é um convite ao pensamento estratégico a serviço da verdade.
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Eu sou Camila Lourenço Covre, especialista em desenvolvimento humano e linguagem comportamental. Acredito que a comunicação é a chave para decifrar a alma humana e construir conexões mais profundas. Se você se interessa por esses temas, acompanhe meu trabalho no Instagram: @camilaslourenco.


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