Uma entre tantas barreiras enfrentadas pelas famílias atípicas é dar remédio aos seus filhos. Misturamos em sucos, na comida, vitaminas e por aí vai. E isso porque estamos falando da medicação de rotina, mas, e quando temos uma dor aparente, uma tosse ou algo que requer um remédio que não está na programação diária?
A mãe negocia, promete mundos e fundos, a criança cospe, e lá vamos com outra dose e de três tentativas as vezes chegamos na dosagem certa.
Aqui sempre tento moeda de troca com algo que ele gosta. Ora funciona ora não. As vezes espero o horário da noite para aproveitar a sonolência e ao mesmo tempo pulamos horários muito tarde da noite para não interromper um sono que já é raro.
Todavia, a vida sempre nos reserva surpresas. Em duas situações eu reparei menor resistência em tomar os remédios. Uma das vezes meu filho ficou mal a ponto de não conseguir comer, e quando ofereci o remédio eu disse: Tome para ficar bom! E ele aceitou até o fim do tratamento. Na outra vez reparamos uma tosse seca insistente que estava atrapalhando o sono, acho que devia estar doendo a garganta. Busquei na escola a tarde, quando a tosse havia começado, assim que chegamos em casa ele foi direto para bolsa de remédio e falou: “Qué”!
Entendi que era o xarope! Tomou meio contrariado ainda como demonstrou má “cara feia” mas em algum momento entendeu que para melhorar teria que ceder.
Um autista nível 3, com toda sua dificuldade, encontra um jeito de “dizer”: Me dá o xarope! Enfim, o famoso pequeno passo que para nós é sempre uma bela caminhada.
Josileine Pessoa F Gonçalves
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