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SÉRIE “NO DIVÃ COM A DONA EDUCAÇÃO” – Capítulo I: O que está acontecendo comigo?

Na vila Esperança morava uma senhorinha idosa e muito distinta. Todos a conheciam – nem que fosse apenas por ter ouvido falar dela. Sim, seu nome era muito fácil de lembrar pois estava sempre nas rodas de conversa das pessoas daquela movimentada vila. Se você nunca ouviu falar dessa anciã, lhe apresento com muito gosto: Dona Educação. Sempre se ouvia falar bem dela, mas quem a conhecia pessoalmente, sabia que havia alguma coisa incomodando-a ou parecia que algum problema estava acontecendo com aquela senhora, pois nos últimos tempos ela sempre aparentava estar um tanto ansiosa e preocupada.

A verdade é que Dona Educação estava doente. Muito doente. Ela mesma não sabia exatamente o que tinha, mas se sentia mal e percebia que estava precisando de cuidados médicos. Talvez o peso das responsabilidades assumidas (e impostas a ela) que lhe sobrevinha com os anos, ou os efeitos emocionais das várias e várias cirurgias plásticas – pequenas reformas necessárias aplicadas durante a passagem do tempo, que pareciam não fornecerem resultados efetivos – a forçavam a continuar procurando por vários especialistas, os quais já lhe haviam prestado consultas e realizado exames de todas as ordens. Todos sem real sucesso rumo a um diagnóstico acertado. Afinal, em todos os exames ou testes que a Educação se submetia, a nota era sempre a mesma: 100!

Um belo dia, ela parou de procurar a causa do seu mal-estar em sua aparência ou nas possíveis patologias físicas e se concentrou em analisar a sua própria existência. Começou a se questionar:

“Será que estou cumprindo a minha missão de vida?”

“Será que as pessoas realmente me entendem, ou será que eu não entendo as pessoas?”

“Será que eu preciso mudar a vida das pessoas a minha volta, ou será que eu preciso me adaptar ao que as pessoas acham melhor na forma sobre como me comporto?”

“Será que ninguém acredita em mim, ou será que eu acredito demais nas pessoas?”

“Afinal, eu que preciso mudar a vida das pessoas a minha volta ou, são elas que devem direcionar a minha própria vida? ”

E as perguntas continuaram por vários dias e noites. Uma semana inteira. Anos a fio. Dona Educação, a despeito de toda sua experiência e influência sobre as pessoas a sua volta, começou a se questionar a respeito do que estava acontecendo consigo mesma.

Decidiu procurar um último especialista, e tornar derradeiro o seu sofrimento. Afinal, “não saber o porquê de um determinado problema, é tão ruim quanto o próprio problema” – proposição que aprendeu dos seus dedicados pais, o Senhor Conhecimento e Dona Ciência.

Marcou uma consulta com uma Psicanalista que diziam ser muito renomada, a Drª História. Ao chegar ao consultório, relatou seus anseios, medos, angústias e principalmente o sentimento de decepção consigo mesma por achar que muitas vezes ela não fazia muita diferença na vida das outras pessoas. Se sentia, na verdade, rejeitada, menosprezada.

Drª História a ouviu atentamente e registrou cada detalhe que a Dona Educação expunha em relação a corrente do tempo. Marcaram várias outras sessões. Drª História ouvia, registrava. Ouvia, registrava. Na verdade, se há uma coisa que a História sabe fazer é deixar tudo bem registrado, perenemente. E isso era o que ela fazia, encontro após encontro.

A Dona Educação percebia, a cada sessão – ao passo que ela apresentava cada aspecto de sua personalidade e os fatos de sua paradoxal vida para a História – que a Drª não fazia nada mais do que registrar as falas, conceitos, ideias, fatos e intenções que eram apresentados. A Drª História não falava nada. Somente registrava. Às vezes, olhava para Dona Educação por cima dos seus óculos, com um olhar que alternava entre o que parecia reprovação e admiração.

No final do que parecia ser a última sessão, a Dona Educação terminou sua fala e ficou olhando pra História. Pensou: “O que a História tem a me dizer sobre a atuação da Educação?”

Drª História, hábil em anotar dados, encerrou os registros, olhou para Dona Educação com uma postura que mesclava ternura com autoridade e disse:

– Embora eu não possa fechar o diagnóstico, posso dizer que aparentemente não há nada de errado com a Senhora. Mesmo que houvesse, você tem o direito de expressar o que acredita ser certo, a despeito do que outros pensam ou fazem com o que a Senhora ensina. Ademais, para compreender plenamente o que está acontecendo realmente com a Senhora, preciso ouvir mais pessoas. Tenho algumas pessoas em mente, como o Senhor Padrão de Comportamento, o jovem Inovação, a Dona Força de vontade, A digital influencer Sociedade Civil, A Meritíssima Juiza Drª Justiça e uma moça que tem andado “meio sumida”, a Srtª Motivação. Acredito que cada um deles tem uma influência forte no seu dia a dia e nos resultados que você quer para sua vida. No mais, o que posso aconselhar é que procure a companhia de alguém que a faça se sentir bem, se sentir útil para as pessoas.

-“E a Drª tem alguma sugestão de quais pessoas podem me ajudar a me sentir melhor?” Perguntou Dona Educação.

– “O Senhor Dedicação e a Dona Resiliência são boas opções” – Afirmou Drª História – “Eu posso provar que eles fazem toda a diferença no alcance dos objetivos e poderão lhe ajudar a lidar com todas as suas dificuldades. Também pode procurar uma amiga minha, a advogada Drª Lei do Retorno. Ela pode ajudar a você a compreender que cada um recebe o que plantou. Eu mesma já comprovei isso também. No mais, o Professor Humanismo e as irmãs Conselheiras tutelares, a Coerência e Prudência, poderão lhe dar uns toques sobre como lidar com cada situação e com pessoas, digamos, diferentes.”

-Puxa, Drª. É muita gente pra procurar. Sugere mais alguém?

-Bem, Dona Educação, a senhora irá descobrir por si mesma. Mas há somente uma pessoa que lhe será, digamos, relativamente difícil de encontrar, humanamente falando…mas certamente terá um grande diálogo com essa pessoa, quando a encontrar.

-Quem, quem,quem? – Indaga Educação, ansiosa.

– Vossa Majestade, a Srª Verdade.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

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