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MEUS GEMIDOS DE JÓ, DE BRASIGÓIS FELÍCIO

Por Elias Antunes                                  

Dentre os poetas e escritores vivos e atuantes, há uma voz persistente que construiu um verdadeiro legado na literatura brasileira: Brasigóis Felício.

Ativo e participativo, autor de dezenas de livros entre poemas, contos, romances, crônicas e ensaios.

Em seu livro “Meus gemidos de Jó”, Brasigóis Felíco constrói uma obra poética coesa e de grande envergadura, tomando como ponto de partida um dos livros poéticos da Bíblia: Jó.

Todo cristão conhece (ou deveria conhecer) a famosa passagem do homem chamado Jó que faz parte de uma espécie de aposta entre Deus e o diabo, para prová-lo, testá-lo em sua fidelidade a Deus.

Então, Jó passa a sofrer toda a sorte de dissabores, perdas de bens, riquezas, morte dos filhos, ruína, abandono, doenças, não lhe restando quase nada, a não ser um caco de telha para coçar sua pele ferida. Isso é na Bíblia, agora no livro de Brasigóis há muitas diferenças e tonalidades, inclusive seu passeio no livro sagrado é maior, espalhando-se por outras partes.

Como se pode ver desde os primeiros versos:

“Para uns a pândega,

Para mim o pânico.

Para uns a pele,

Para mim o pênfigo.

Para uns

a coroa dos reis,

para mim

a coroa do Cristo.

Há sempre um pêssego

madurando

para outras bocas.”

(FELÍCIO, 2000, p. 9)

Essa comparação da sorte maldita do humano perante as coisas e os bens da vida já introduz o leitor nesse universo de lutas e lamentações.

“Agora me liberto

da vitória e da derrota

e renuncio

a só gemer como Jó,

estou pronto

a sentir em mim

a lava das horas.”

(FELÍCIO, 2000, p. 45)

Sua voz levanta-se em defesa da poesia, em defesa da vida, numa espécie de revolta, de não aceitação do “status quo” e de tanto sofrimento e lamento neste mundo.

“De nada disto falou

o Rabi da Galileia.

antes, advertiu

aos néscios de seu tempo

que ao reino do céu

só chegarão

os que deixarem

nascer em si

a pureza e a inocência

de serem de novo crianças.”

(FELÍCIO, 2000, p. 96)

Brasigóis Felício é um dos melhores poetas e prosadores de nosso tempo, com uma obra extensa, sólida e complexa, sobressaindo-se como poeta e prosador inspirado e de grande recurso estilístico.

Fonte da imagem: Foto do autor.


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Criada em 2020 pelo professor e poeta Renato Cardoso, a Revista Entre Poetas & Poesias é um periódico digital dedicado à valorização da literatura e da arte em suas múltiplas expressões. Mais que uma revista, é um espaço de conexão entre leitores e autores, entre a sensibilidade poética e a reflexão cotidiana.

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